Assédio ainda encontra silêncio e medo no ambiente de trabalho
- 08/10/2026
Pesquisa mostra que muitas vítimas não denunciam e, mesmo quando procuram ajuda, nem sempre se sentem protegidas
O assédio continua presente em diferentes espaços da vida social e profissional. Além das agressões sofridas, muitas vítimas enfrentam o medo de denunciar, a insegurança sobre o tratamento da queixa e a falta de resposta das instituições.
A pesquisa Mapa do Assédio no Brasil 2025, realizada pela KPMG com 1.365 participantes, mostrou que 31% dos entrevistados sofreram algum tipo de assédio nos 12 meses anteriores ao levantamento.
Esse percentual reúne diferentes ambientes, não apenas o local de trabalho. As áreas abertas aparecem com 19% das ocorrências, seguidas pelos ambientes profissionais, com 16%, e pelo transporte público, com 10%.
Entre as pessoas que relataram alguma situação, 44% apontaram assédio moral ou psicológico. A discriminação de gênero apareceu em 15% dos relatos, enquanto o assédio sexual foi mencionado por 14%.
Outro dado chama atenção: 38% das vítimas não fizeram denúncia. Entre aquelas que procuraram os canais responsáveis, 58% afirmaram não ter se sentido seguras e 57% disseram não ter recebido uma resposta.
Os números mostram que disponibilizar um canal de denúncia não é suficiente. Empresas e instituições precisam garantir acolhimento, sigilo, investigação séria e proteção contra qualquer forma de retaliação.
Quando não existe confiança no processo, o silêncio acaba parecendo mais seguro do que a denúncia. E é justamente esse silêncio que permite a continuidade do problema.
Redação Coisas da Dina
Foto: Imagem ilustrativa
Fonte: KPMG


