Ano Novo Chinês começa hoje e reforça tradição milenar que atravessa fronteiras e se consolida no Ocidente
- 17/02/2026
Começa hoje, 17 de fevereiro, o Ano Novo Chinês, também conhecido como Festival da Primavera, a celebração mais importante do calendário tradicional chinês. Diferente do calendário gregoriano, a data é definida pelo calendário lunar, o que faz com que o início do ano varie entre o fim de janeiro e meados de fevereiro. Em 2026, as celebrações seguem até o início de março, encerrando-se com o Festival das Lanternas, que marca simbolicamente o fechamento do ciclo.
O Ano Novo Chinês não se resume a uma única noite de festa. Trata-se de um período de cerca de 15 dias dedicado à renovação, ao equilíbrio e ao fortalecimento dos laços familiares. Casas são limpas antes da virada para afastar energias negativas, dívidas simbólicas são quitadas, e desejos de prosperidade, saúde e longevidade orientam os rituais.
Cada ano é regido por um dos 12 animais do zodíaco chinês, combinados a um dos cinco elementos da natureza, formando um ciclo que se repete a cada 60 anos. Essa lógica influencia crenças sobre comportamento, sorte, trabalho e relações pessoais, sendo levada a sério por milhões de pessoas em países asiáticos como China, Vietnã, Coreia do Sul, Singapura e Malásia.
Embora tenha origem no Oriente, o Ano Novo Chinês deixou há muito de ser uma celebração restrita à Ásia. Com os fluxos migratórios e a presença cada vez mais forte das comunidades chinesas ao redor do mundo, a tradição ganhou espaço no Ocidente. Grandes cidades como Londres, Paris, Nova York, São Francisco e Sydney realizam festivais públicos, desfiles com dragões e leões, apresentações culturais e eventos gastronômicos que atraem turistas e moradores locais.
No Brasil, a celebração também se consolidou. Bairros como a Liberdade, em São Paulo, tornaram-se referência nacional, reunindo milhares de pessoas todos os anos. Restaurantes, centros culturais, consulados e instituições promovem eventos que misturam tradição chinesa e adaptação à cultura local, criando uma experiência híbrida que dialoga com o público ocidental.
Essa expansão não acontece apenas no plano festivo. O Ano Novo Chinês também entrou no imaginário global por meio da economia, da diplomacia e da cultura pop. O calendário chinês influencia negociações comerciais, decisões empresariais, campanhas publicitárias e até tendências de consumo. Ao mesmo tempo, conceitos como equilíbrio, disciplina, respeito aos ciclos da natureza e valorização da família despertam interesse crescente em sociedades marcadas pela aceleração e pelo individualismo.
Mais do que um evento cultural, o Ano Novo Chinês simboliza a capacidade de uma tradição milenar atravessar continentes sem perder seu significado essencial. Ao chegar ao Ocidente, ele não substitui culturas locais, mas se soma a elas, ampliando o diálogo entre povos e reforçando a ideia de que celebrar o tempo, os ciclos e a renovação é uma necessidade humana universal.
Foto: Ilustrativa



