Work Blues: por que voltar das férias pode pesar mais do que deveria
- 07/10/2026
Depois de alguns dias longe de reuniões, mensagens, metas e cobranças, o retorno ao trabalho nem sempre acontece com a disposição renovada que se espera. Para algumas pessoas, a volta vem acompanhada de desânimo, irritação, ansiedade e dificuldade para recuperar o ritmo.
Esse desconforto vem sendo chamado de Work Blues. A expressão descreve o mal-estar associado ao retorno ao trabalho depois de um período de descanso. Não é um diagnóstico médico, mas pode servir como um sinal de atenção para a relação do profissional com sua rotina.
Nos primeiros dias, certa dificuldade de adaptação pode ser natural. O problema começa quando o sofrimento se repete a cada retorno, permanece por muito tempo ou aparece junto com exaustão, conflitos, queda de concentração, perda de interesse e vontade constante de deixar o emprego.
Nesses casos, talvez a questão não esteja apenas no fim das férias. O afastamento pode tornar mais visível o que já incomodava antes: excesso de tarefas, pressão permanente, relações desgastadas, falta de autonomia, insegurança profissional ou ausência de perspectiva.
A Organização Mundial da Saúde alerta que ambientes de trabalho ruins, sobrecarga, pouco controle sobre as atividades e insegurança profissional podem representar riscos para a saúde mental. Depressão e ansiedade provocam a perda estimada de 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo. (who.int)
No Brasil, a atualização da NR-1 incluiu expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Isso amplia a responsabilidade das empresas sobre a forma como o trabalho é organizado e conduzido. (gov.br)
Quando o retorno merece atenção
É importante observar se o desconforto diminui à medida que a rotina é retomada ou se cresce com o passar dos dias. Alterações persistentes no sono, irritação frequente, ansiedade, cansaço extremo, isolamento e dificuldade para realizar tarefas simples não devem ser tratados apenas como falta de vontade.
Também vale perceber como foram as próprias férias. Se o profissional passou todo o período respondendo mensagens, acompanhando e-mails e resolvendo problemas, provavelmente não houve uma pausa verdadeira.
O que pode ajudar
Para o trabalhador, a retomada pode ser mais leve com organização das prioridades, intervalos durante o dia e redução do excesso de compromissos nos primeiros momentos. Também é importante estabelecer limites para que o descanso não seja invadido continuamente pelas demandas profissionais.
Já as empresas precisam olhar além do comportamento individual. Distribuição de tarefas, metas, comunicação, qualidade da liderança e clima interno fazem parte do problema — e também da solução.
Se o mal-estar continuar, aumentar ou começar a prejudicar a vida pessoal e profissional, é recomendável buscar orientação de um profissional de saúde. O mais importante é não normalizar um sofrimento que se repete.
Talvez a pergunta não seja apenas por que alguém não quer voltar das férias. Em alguns casos, a pergunta necessária é: para qual ambiente essa pessoa está voltando?
Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação
Fonte: Employer Recursos Humanos, Organização Mundial da Saúde e Ministério do Trabalho e Emprego


