​Um em cada quatro brasileiros com 60 anos ou mais trabalhava em 2024

  • 28/09/2026

​Um em cada quatro brasileiros com 60 anos ou mais trabalhava em 2024

Crescimento da população idosa muda relações de trabalho, consumo e convivência e amplia o debate sobre o etarismo

O Brasil chegou a 2024 com 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Em 2012, eram 22,2 milhões. O crescimento foi de 53,3% em 12 anos.

No mesmo período, aumentou a presença desse grupo no mercado de trabalho. Dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostram que 24,4% das pessoas idosas estavam ocupadas em 2024. Isso significa que aproximadamente uma em cada quatro continuava trabalhando.

A realidade aparece no cotidiano: profissionais permanecem por mais tempo nas empresas, pessoas aposentadas voltam ao mercado e cresce o número de trabalhadores mais velhos que atuam por conta própria.

Permanecer trabalhando nem sempre é uma escolha

O levantamento não permite afirmar quantas pessoas continuam trabalhando por vontade própria e quantas permanecem por necessidade.

Para uma parte desse público, o trabalho representa autonomia, convivência e continuidade profissional. Para outra, é uma forma de complementar a aposentadoria ou garantir uma renda que não foi alcançada ao longo da vida.

Segundo o IBGE, o aumento da expectativa de vida, as mudanças nos arranjos familiares, a informalidade e as alterações no sistema previdenciário ajudam a explicar a permanência das pessoas idosas no mercado.

Entre os trabalhadores com 60 anos ou mais, 43,3% atuavam por conta própria e 7,8% eram empregadores. Somadas, essas duas categorias representavam mais da metade dos idosos ocupados.

Os números indicam que o emprego tradicional não é a única forma de permanência no mercado — e, em muitos casos, pode não ser a mais acessível.

Homens e mulheres chegam aos 60 em situações diferentes

A participação no trabalho era de 34,2% entre os homens idosos e de 16,7% entre as mulheres.

Essa diferença também deve ser analisada à luz das desigualdades acumuladas ao longo da vida profissional. Muitas mulheres passaram anos fora do emprego formal, assumiram atividades domésticas e responsabilidades de cuidado sem remuneração ou tiveram carreiras interrompidas.

A chegada aos 60 anos não elimina essas diferenças. Em alguns casos, torna seus efeitos ainda mais evidentes.

Os dados integram a Síntese de Indicadores Sociais de 2025, produzida pelo IBGE com informações referentes a 2024.

Etarismo ainda limita oportunidades

O etarismo é a discriminação baseada na idade. No ambiente profissional, pode aparecer na exclusão de processos seletivos, na falta de oportunidades de qualificação, na pressão pela aposentadoria ou na ideia de que uma pessoa mais velha não consegue aprender novas tecnologias.

Um boletim divulgado pela Sudene mostra que o número de empregos formais ocupados por pessoas com 60 anos ou mais passou de 1,9 milhão, em 2023, para 2,1 milhões em 2024. O crescimento foi de 12,9% em apenas um ano. 

O mercado começa a incorporar profissionais mais velhos, mas ainda precisa rever práticas de contratação, ambientes de trabalho e oportunidades de atualização.

Essa mudança também afeta o consumo. Pessoas com mais de 60 anos viajam, empreendem, usam tecnologia, sustentam famílias, iniciam relacionamentos e assumem novos projetos. Tratá-las como um grupo homogêneo, frágil ou dependente é ignorar a diversidade dessa população.

O Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, coloca esse debate no calendário. Mais do que homenagens, a data propõe uma discussão sobre autonomia, renda, respeito e participação social. 

Texto: Redação Coisas da Dina

Foto: Ilustrativa 

Fontes: IBGE, Ministério da Saúde e Sudene


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