​No Dia Nacional da Doação de Órgãos, uma conversa em família pode salvar vidas

  • 27/09/2026

​No Dia Nacional da Doação de Órgãos, uma conversa em família pode salvar vidas

Quase 50 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil; autorização familiar continua sendo indispensável

O Brasil celebra neste domingo, 27 de setembro, o Dia Nacional da Doação de Órgãos.

A data chama atenção para uma decisão que muita gente diz já ter tomado, mas nem sempre comunica a quem realmente precisará confirmá-la: a própria família.

Atualmente, 49.489 pessoas aguardam por um transplante no país. A maior parte da fila é formada por pacientes que precisam de um rim, mas também existem pessoas à espera de fígado, coração, pulmão, pâncreas, córnea e outros tecidos.

Um único doador pode beneficiar até dez pessoas.

A palavra final é da família

No Brasil, não basta carregar uma declaração na carteira ou dizer aos amigos que deseja ser doador.

Depois da confirmação da morte encefálica e da avaliação das condições clínicas, a retirada dos órgãos depende da autorização familiar.

Por isso, a orientação mais importante continua sendo conversar claramente com pais, filhos, irmãos, companheiros e outras pessoas próximas.

Quando a família já conhece a vontade manifestada em vida, a decisão pode ser tomada com mais segurança em um momento naturalmente doloroso.

Autorização também pode ser registrada pela internet

Quem deseja formalizar sua vontade pode emitir gratuitamente a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, conhecida como AEDO.

O processo começa no site aedo.org.br. A pessoa preenche os dados, indica os órgãos e tecidos que deseja doar e escolhe um cartório de notas.

O cartório entra em contato para uma videoconferência de identificação. Depois da assinatura digital, a declaração fica disponível para consulta pelos profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

A AEDO ajuda a comprovar a vontade do doador, mas não elimina a necessidade de autorização da família.

O registro eletrônico, portanto, não substitui a conversa dentro de casa.

Como funciona a doação

A morte encefálica é a interrupção definitiva e irreversível das funções do cérebro. O diagnóstico segue um protocolo médico específico e não significa coma.

Depois da confirmação, uma equipe especializada conversa com a família e explica a possibilidade de doação.

Também é feita uma avaliação do histórico clínico do potencial doador e das condições dos órgãos e tecidos. Não existe uma única regra baseada apenas na idade. Cada caso precisa ser analisado pelas equipes de saúde.

Os órgãos são destinados aos pacientes que aguardam na lista única do Sistema Nacional de Transplantes, considerando critérios como compatibilidade, urgência, gravidade e tempo de espera.

Não existe escolha direta de quem receberá o órgão, nem qualquer pagamento para a família do doador ou do receptor.

Um sistema público de grande alcance

O Brasil possui o maior programa público de transplantes do mundo. Aproximadamente 95% dos procedimentos são financiados pelo Sistema Único de Saúde.

Mesmo com essa estrutura, a quantidade de doações ainda não consegue atender todas as pessoas que aguardam.

Neste 27 de setembro, a atitude mais concreta não exige formulário nem deslocamento: dizer à família, com todas as letras, que deseja ser doador.

Essa conversa pode ser curta. Seu efeito, porém, pode atravessar muitas vidas.

Texto: Redação Coisas da Dina

Foto: UNA-SUS/Ministério da Saúde – arquivo

Fonte: Ministério da Saúde, Sistema Nacional de Transplantes e Conselho Nacional de Justiça


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