Quem cuida de quem cuida? Quase metade dos médicos de UTI apresenta alto esgotamento emocional
- 26/09/2026
Levantamento nacional ouviu 2.338 intensivistas em 26 estados e no Distrito Federal e chama atenção para a saúde mental de profissionais que trabalham diariamente em situações críticas
Eles trabalham onde decisões precisam ser tomadas rapidamente, convivem diariamente com pacientes graves e estão entre os profissionais que lidam de maneira mais próxima com a fronteira entre recuperação, sofrimento e morte.
Mas quem está cuidando da saúde de quem trabalha dentro das unidades de terapia intensiva?
Um levantamento nacional com 2.338 médicos de UTI encontrou um dado preocupante: 48,5% apresentaram alto nível de esgotamento mental e emocional. Outros 31,2% apresentaram nível moderado. Somente 20,3% relataram baixos níveis de esgotamento.
O Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras foi realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), e ouviu profissionais de 26 estados e do Distrito Federal.
Outro resultado chama atenção: 46,4% dos intensivistas relataram baixo grau de satisfação com o trabalho. Considerando também aqueles com satisfação moderada, 84,5% dos médicos ouvidos não se declararam plenamente satisfeitos com o exercício profissional nas UTIs.
Carga horária elevada, contato permanente com situações críticas, necessidade de decisões rápidas, infraestrutura insuficiente em determinados serviços e a convivência cotidiana com dor, sofrimento e morte aparecem entre os possíveis fatores associados ao desgaste.
A situação vai além do bem-estar individual do médico. Um profissional permanentemente exausto trabalha em um ambiente no qual concentração, capacidade de decisão e equilíbrio emocional são particularmente importantes.
O burnout não deve ser confundido com o cansaço esperado depois de um plantão difícil. A síndrome está relacionada ao contexto profissional e envolve dimensões como exaustão, distanciamento em relação ao trabalho e redução da sensação de realização profissional.
Os números encontrados entre intensivistas mostram também por que a discussão sobre saúde mental no trabalho não pode ficar restrita à orientação para que cada profissional aprenda a lidar melhor com o estresse.
Carga de trabalho, condições de exercício profissional, dimensionamento das equipes, infraestrutura, remuneração e organização dos serviços também fazem parte dessa conversa.
Quem passa seus dias cuidando de pessoas em situações extremas também precisa encontrar um sistema preparado para cuidar de quem cuida.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Ilustrativa
Fonte: Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) / Conselho Federal de Medicina (CFM) / Agência Brasil



