Cidade gaúcha quer transformar a história do espumante em patrimônio cultural
- 26/09/2026
Garibaldi, considerada o berço do espumante brasileiro, mobiliza moradores para reconhecer oficialmente mais de um século de saberes, técnicas, paisagens e tradições ligados à bebida
Uma taça de espumante pode guardar muito mais do que vinho. Em Garibaldi, na Serra Gaúcha, ela carrega mais de um século de história, trabalho, conhecimento e uma relação tão próxima com a cidade que agora existe um movimento para transformar esse legado em patrimônio histórico e cultural.
A Associação de Produtores de Espumantes de Garibaldi (APEG) está mobilizando a população para reunir 1.500 assinaturas e encaminhar à Câmara de Vereadores uma proposta de reconhecimento do Espumante de Garibaldi e de todo o conjunto de saberes, práticas, paisagens e tradições associados à sua produção.
A história ajuda a explicar a iniciativa. Foi em Garibaldi, em 1913, que começou a produção do primeiro espumante brasileiro pelo método tradicional. Ao longo das décadas, a atividade se desenvolveu, atraiu investimentos, incorporou conhecimento e tecnologia e passou a fazer parte não apenas da economia, mas da própria identidade da cidade.
Hoje, Garibaldi é conhecida como Capital Brasileira do Espumante. Vinhedos, vinícolas, famílias de produtores, enólogos, celebrações e atividades ligadas ao turismo formaram uma cadeia que atravessa gerações e ajudou a projetar o município no Brasil e no exterior.
É justamente essa dimensão que o movimento pretende preservar. O reconhecimento proposto não se limita à bebida pronta dentro da garrafa. Inclui as técnicas utilizadas em sua elaboração, os conhecimentos transmitidos entre gerações, as paisagens vitícolas, as festas, a memória das famílias e os modos de vida construídos em torno da produção.
Para Ricardo Morari, enólogo e presidente da APEG, o movimento pertence à cidade e não apenas às vinícolas. Segundo ele, o espumante está ligado à história das famílias, ao trabalho e à forma como Garibaldi passou a ser reconhecida nacionalmente.
A próxima mobilização está marcada para 4 de outubro, quando os moradores irão às urnas para as eleições. A escolha da data é estratégica: somente pessoas com título eleitoral em Garibaldi podem participar do abaixo-assinado, e a expectativa é aproveitar a circulação de eleitores pela cidade para ampliar a coleta.
As assinaturas serão recolhidas na Praça Loureiro da Silva, conhecida como Praça das Rosas. Para participar, será necessário informar nome completo, número de documento e título eleitoral.
Mais do que reconhecer um produto, a iniciativa levanta uma questão interessante sobre patrimônio cultural. Receitas, técnicas de produção, conhecimentos e costumes também contam a história de um lugar. E, em algumas cidades, aquilo que se coloca à mesa ajuda a explicar quem vive ali.
Em Garibaldi, essa história vem acompanhada de borbulhas.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Jeferson Soldi
Fonte: Associação de Produtores de Espumantes de Garibaldi (APEG)



