​Obras do metrô no Campo Grande revelam 235 peças arqueológicas do século XIX

  • 23/09/2026

​Obras do metrô no Campo Grande revelam 235 peças arqueológicas do século XIX

Louças inglesas e portuguesas, porcelanas, garrafas, frascos e ossos foram encontrados durante escavações para implantação da nova estação em Salvador

As obras da Estação Campo Grande do metrô de Salvador trouxeram uma descoberta que vai além da construção da nova linha. Durante as escavações, arqueólogos identificaram 235 peças que ajudam a contar como era a vida naquela região da cidade no século XIX.

O material foi localizado em uma área arqueológica de aproximadamente 188 metros quadrados e inclui louças de origem inglesa e portuguesa, porcelanas, pratos, recipientes, garrafas, frascos e fragmentos de ossos.

As informações constam em documentos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) obtidos pelo jornal A TARDE.

Os objetos estão relacionados às antigas residências e palacetes que ocupavam a região do Campo Grande e permitem aos pesquisadores conhecer melhor hábitos domésticos e de consumo dos moradores daquele período.

Algumas peças foram encontradas entre 1,80 e 2,20 metros de profundidade. A existência de uma antiga estrutura de porão também contribuiu para a preservação de parte do material.

A presença de louças e produtos fabricados na Europa chama atenção para as relações comerciais mantidas por Salvador no século XIX, quando mercadorias importadas já faziam parte do cotidiano de famílias com maior poder aquisitivo.

O Campo Grande passou por grandes intervenções urbanas ao longo do tempo, incluindo aterramentos e nivelamentos realizados a partir de meados do século XIX. Por isso, os achados arqueológicos ajudam também a entender as diferentes ocupações da área antes de ela adquirir a configuração conhecida atualmente.

O acompanhamento arqueológico integra os procedimentos necessários em obras realizadas em áreas com potencial histórico. Os materiais encontrados passam por análise e registro para que possam contribuir com as pesquisas sobre a ocupação e as transformações de Salvador.

A descoberta acontece justamente durante uma das maiores intervenções recentes de mobilidade realizadas na região. Enquanto a nova estação começa a redesenhar o acesso ao Campo Grande, as escavações revelam objetos deixados por quem viveu ali há mais de cem anos.

Texto: Redação Coisas da Dina

Foto: Raphael Müller ¦ Ag. A TARDE

Fonte: A TARDE / Iphan


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