A primavera é a mesma, mas não chega igual para todo mundo: entenda por que as estações mudam tanto de uma região para outra

  • 22/09/2026

A primavera é a mesma, mas não chega igual para todo mundo: entenda por que as estações mudam tanto de uma região para outra

Enquanto o Brasil entra na primavera e a Europa inicia o outono, diferenças de latitude, relevo, proximidade do oceano e fenômenos como o El Niño ajudam a explicar por que uma mesma estação pode produzir cenários completamente diferentes

A primavera começa oficialmente no Brasil nesta terça-feira, 22 de setembro, às 21h05, pelo horário de Brasília. No mesmo período em que o Hemisfério Sul deixa o inverno para trás, países do Hemisfério Norte fazem o movimento contrário: encerram o verão e entram no outono.

É por isso que, enquanto os brasileiros começam a falar em primavera, temperaturas já podem começar a cair em partes da Europa depois dos meses mais quentes do verão. Mas nem aqui nem lá a mudança de estação significa uma alteração imediata e uniforme do tempo.

Dentro do próprio Brasil isso é fácil de perceber. A primavera começa no mesmo instante em Salvador, Porto Alegre, Manaus e Brasília, mas não é sentida da mesma maneira nessas cidades.

No Sul, onde as quatro estações costumam ser mais perceptíveis, a transição pode trazer mudanças importantes de temperatura e aumento das chuvas. Em boa parte do Centro-Oeste e do Sudeste, a primavera costuma marcar o retorno mais regular das precipitações depois do período seco, ao mesmo tempo em que as temperaturas sobem.

No Norte, próximo à Linha do Equador, a divisão tradicional entre primavera, verão, outono e inverno é muito menos evidente. Em diversas áreas, faz mais sentido perceber o ano pela alternância entre períodos mais chuvosos e menos chuvosos.

No Nordeste também existem grandes diferenças. O clima do litoral baiano, influenciado pelo Oceano Atlântico, não é o mesmo encontrado no semiárido. Em Salvador, por exemplo, a chegada da primavera dificilmente produz aquela transformação visual clássica associada às quatro estações nos países de clima temperado.

Isso acontece porque as estações são determinadas pela inclinação do eixo da Terra e pelo movimento do planeta ao redor do Sol, mas a forma como cada lugar sente uma estação depende de outros fatores: latitude, altitude, relevo, distância do mar, circulação atmosférica e características regionais do clima.

Neste ano, existe ainda um componente importante nessa equação: o El Niño.

O fenômeno, provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, já está presente e deve ganhar força durante a primavera. As projeções divulgadas pelos órgãos brasileiros de monitoramento indicam probabilidade superior a 90% de que o El Niño alcance intensidade muito forte no trimestre entre setembro e novembro.

Se essa configuração se mantiver, seus efeitos também serão diferentes dentro do país. Historicamente, episódios de El Niño favorecem aumento das chuvas no Sul e maior risco de períodos secos em partes do Norte e do Nordeste. Isso não significa, porém, que todos os estados dessas regiões terão necessariamente o mesmo comportamento, porque o clima brasileiro também sofre influência do Oceano Atlântico e de outros sistemas atmosféricos.

A própria dimensão continental do Brasil ajuda a explicar tantas diferenças. O país se estende por milhares de quilômetros de norte a sul e atravessa diferentes zonas climáticas. Por isso, falar simplesmente que “chegou a primavera” diz muito sobre o calendário astronômico, mas não conta toda a história sobre o tempo que cada brasileiro encontrará ao abrir a janela.

Enquanto uma cidade pode entrar na nova estação com chuva e temperatura mais baixa, outra pode enfrentar calor intenso e baixa umidade. E, no outro lado do planeta, parte da Europa começa justamente o caminho contrário, deixando o calor do verão para entrar no outono.

A estação muda para todos. A maneira como cada lugar a vive é que pode ser completamente diferente.

Texto: Redação Coisas da Dina

Foto: Divulgação

Fonte: INMET e Organização Meteorológica Mundial


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