A 12 dias das eleições, pesquisas e redes sociais aumentam a disputa pela atenção do eleitor
- 22/09/2026
Com mais de 158 milhões de brasileiros aptos a votar em 4 de outubro, reta final da campanha é marcada pela divulgação frequente de pesquisas e pelo peso crescente das plataformas digitais
Faltam 12 dias para o primeiro turno das Eleições 2026. Em 4 de outubro, mais de 158 milhões de brasileiros estarão aptos a votar. Na Bahia, são mais de 11 milhões de eleitores, o quarto maior colégio eleitoral do país.
Nesta reta final, além da intensificação das campanhas, cresce também a divulgação de pesquisas de intenção de voto. E com elas aparece uma dúvida comum: como algumas centenas ou poucos milhares de entrevistados podem representar a opinião de milhões de eleitores?
A resposta está na amostragem estatística. Os institutos não precisam entrevistar uma parcela enorme da população, mas construir uma amostra que procure reproduzir características do eleitorado, considerando fatores como idade, gênero, escolaridade, condição econômica e distribuição geográfica.
Por isso, nunca ter sido entrevistado por um instituto — situação bastante comum — não significa que determinado perfil de eleitor esteja fora das pesquisas. Ainda assim, nenhum levantamento deve ser tratado como resultado antecipado. Pesquisa registra a intenção de voto de uma amostra em determinado período e trabalha com margem de erro e intervalo de confiança. Métodos diferentes também podem produzir resultados diferentes.
A divulgação frequente desses números levanta outra discussão: pesquisas podem influenciar o eleitor? Há estudos sobre possíveis efeitos provocados pela percepção de que determinado candidato está crescendo, liderando ou perdendo espaço, mas não há base para afirmar que uma pesquisa, isoladamente, determine o voto. Decisões eleitorais envolvem fatores políticos, econômicos, pessoais e acontecimentos da própria campanha.
Ao lado das pesquisas, as redes sociais ganharam um espaço que seria difícil imaginar há algumas eleições. Instagram, TikTok, YouTube, Facebook e aplicativos de mensagens permitem que candidatos falem diretamente com o eleitor e acompanhem quase imediatamente a repercussão de uma declaração, vídeo ou proposta.
Donald Trump foi um dos exemplos internacionais mais conhecidos dessa transformação, ao utilizar intensamente as plataformas digitais nas campanhas presidenciais dos Estados Unidos. No Brasil, candidatos também investem cada vez mais em comunicação direta, vídeos curtos, influenciadores e conteúdos pensados especificamente para circular nas redes.
Mas popularidade digital não é sinônimo de voto. Um candidato pode ter milhões de seguidores e não alcançar o mesmo desempenho nas urnas, assim como parte significativa do eleitorado pode estar distante das bolhas que dominam determinadas plataformas.
Na Bahia, essa diferença merece atenção especial. São mais de 11 milhões de eleitores distribuídos entre a capital, grandes centros urbanos, cidades médias e centenas de pequenos municípios, com realidades sociais e formas de acesso à informação bastante diferentes.
Nos próximos 12 dias, pesquisas continuarão aparecendo, vídeos serão compartilhados e campanhas tentarão conquistar os últimos indecisos. Para o eleitor, o desafio será separar intenção de voto de resultado, popularidade nas redes de apoio efetivo e propaganda de informação.
No dia 4 de outubro, depois de tantos números, postagens e estratégias de campanha, serão as urnas que mostrarão a escolha dos brasileiros.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação



