Elíbia Portela chega aos 79 anos com uma vida dedicada a ensinar a Bahia a cozinhar
- 22/09/2026
OUÇA JÁ o artigo falado "Parabéns, Elíbia Portela" clicando aqui.
Culinarista, professora, escritora e apresentadora de televisão construiu uma trajetória que atravessa gerações, ajudou a popularizar receitas que se tornaram símbolos das festas baianas e continua formando profissionais dentro e fora do Brasil
Aos 79 anos, completados nesta terça-feira, 22 de setembro, Elíbia Portela continua fazendo aquilo que se tornou uma das marcas de sua trajetória: ensinar. São décadas dentro de cozinhas, salas de aula, estúdios de televisão, eventos gastronômicos e, mais recentemente, plataformas digitais, formando profissionais e mostrando que uma receita pode significar muito mais do que comida colocada à mesa.
Nascida em Jacobina, na Bahia, Elíbia cresceu em uma família na qual a cozinha fazia parte da vida cotidiana. Sua mãe, Josília, era uma conhecida banqueteira da cidade, e foi nesse ambiente que a filha começou a aprender técnicas, observar preparos e desenvolver uma relação com a culinária que mais tarde se transformaria em profissão.
A carreira ganhou projeção especialmente a partir dos anos 1980. Elíbia passou pela TV Itapoan e posteriormente pela Band Bahia, onde o Prato da Casa se tornou uma referência para o público interessado em culinária. Foram cerca de 40 anos de televisão, período em que preparou e ensinou milhares de receitas diante das câmeras e ajudou a transformar a gastronomia em conteúdo televisivo quando esse universo ainda estava muito distante da quantidade de programas, canais e perfis especializados que existem hoje.
Mas talvez seja fora das câmeras que esteja uma das dimensões mais importantes de sua trajetória. Elíbia é, antes de tudo, professora.
Ao longo de décadas, seus cursos ajudaram a formar cozinheiros, confeiteiros, empreendedores e pessoas que encontraram na produção de alimentos uma possibilidade de trabalho e renda. Seus ensinamentos atravessaram a Bahia, chegaram a outros estados e também a alunos fora do Brasil. Mesmo depois de tantas décadas de atividade, ela continua ensinando presencialmente e pela internet.
A produção editorial acompanha esse trabalho. Elíbia tem 18 livros de receitas publicados, além do e-book Delícias com Bacalhau. É um acervo que registra técnicas e preparações ensinadas ao longo de uma vida dedicada à cozinha.
Entre as receitas diretamente associadas ao seu nome estão o Boliviano, o Patuá e, principalmente, o Pão Delícia, um dos alimentos mais identificados com as festas e celebrações baianas. A história da autoria original do pão ganhou diferentes versões ao longo do tempo e tornou-se recentemente objeto de controvérsia, mas a participação de Elíbia na transformação, sistematização, ensino e popularização da receita ao longo de décadas ocupa um lugar reconhecido na gastronomia do estado.
O mesmo acontece com o Boliviano, salgado de massa levemente adocicada, recheio de carne e combinação de sabores que se incorporou ao repertório das lanchonetes, confeitarias e festas baianas. Elíbia conta que criou a receita e escolheu o nome em homenagem a uma amiga da Bolívia.
A capacidade de transformar conhecimento culinário em profissão talvez explique por que sua influência não pode ser medida apenas pelo número de livros, programas ou receitas. Há pessoas que aprenderam com Elíbia e abriram negócios, passaram a produzir para vender ou seguiram profissionalmente na gastronomia. A chef-pâtissière Lisiane Arouca, por exemplo, já contou ter sido sua aluna no início da carreira.
E Elíbia não parou. Aos 79 anos, continua participando de festivais, ministrando aulas e acompanhando as transformações da própria profissão. No próximo domingo, 27 de setembro, está novamente diante do público no Tempero Bahia, em Salvador, para ensinar “Massa mágica de pão delícia e suas variações”.
Para Dina RACHID, que entrevistou Elíbia muitas vezes ao longo da carreira, a data também é oportunidade para homenagear uma mulher cuja história se confunde com parte importante da memória gastronômica da Bahia.
“Entrevistei Elíbia muitas vezes e sempre admirei uma coisa nela: a disposição para ensinar. Aos 79 anos, ela continua profissionalizando pessoas, transmitindo conhecimento e mostrando que a cozinha também pode transformar vidas. Isso é um legado que não se mede apenas pelas receitas que criou ou pelos livros que publicou, mas pela quantidade de pessoas que aprenderam com ela e fizeram desse aprendizado uma profissão. Feliz aniversário, Elíbia.”
Aos 79 anos, portanto, a história de Elíbia Portela permanece em movimento. Está nos livros que escreveu, nas muitas horas de televisão, nas receitas que ajudou a colocar na mesa dos baianos e, sobretudo, no conhecimento que continua passando adiante.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Arquivo pessoal de Dina RACHID



