​Biópsia menos invasiva da mama reduz tempo de recuperação e pode diminuir custos hospitalares, aponta estudo brasileiro

  • 22/09/2026

​Biópsia menos invasiva da mama reduz tempo de recuperação e pode diminuir custos hospitalares, aponta estudo brasileiro

Pesquisa com 1.833 pacientes atendidas pelo SUS comparou a biópsia assistida a vácuo com o procedimento cirúrgico e encontrou recuperação mais rápida e redução estimada de 45,4% no custo para o hospital

Uma técnica menos invasiva utilizada na investigação de lesões suspeitas da mama pode permitir que a paciente retorne mais rapidamente às suas atividades e, ao mesmo tempo, reduzir custos para os hospitais. É o que aponta um estudo brasileiro que comparou a biópsia assistida a vácuo, conhecida também como mamotomia, com a biópsia cirúrgica.

A pesquisa analisou 1.833 pacientes atendidas entre 2020 e 2023 no Hospital da Mulher, antigo Hospital Pérola Byington, unidade pública de referência em São Paulo com atendimento pelo Sistema Único de Saúde. O trabalho teve participação da Sociedade Brasileira de Mastologia e foi publicado na revista científica internacional Clinical Breast Cancer.

Das mulheres incluídas no estudo, 1.248, o equivalente a 68,1%, foram submetidas à biópsia assistida a vácuo. Outras 585, ou 31,9%, passaram pela biópsia cirúrgica. Segundo os pesquisadores, os resultados histopatológicos encontrados nos dois grupos foram semelhantes.

A diferença está principalmente na maneira como os procedimentos são realizados e na recuperação posterior.

Na biópsia assistida a vácuo, uma agulha é introduzida na mama com orientação por imagem, permitindo retirar fragmentos da área suspeita que posteriormente são analisados pelo patologista. O procedimento pode ser realizado em regime ambulatorial e utiliza anestesia local.

Já a biópsia cirúrgica é feita em centro cirúrgico e permite retirar a lesão para análise, envolvendo uma estrutura hospitalar maior e recuperação mais prolongada. É uma técnica que continua tendo indicação em determinadas situações e não deve ser entendida como um procedimento que simplesmente possa ser substituído em todos os casos pela mamotomia.

Segundo os dados apresentados pelos pesquisadores, o retorno às atividades ocorreu em aproximadamente dois dias após a biópsia assistida a vácuo, enquanto a estimativa para as pacientes submetidas à cirurgia foi de 14 dias.

A diferença também apareceu na análise econômica. Sob a perspectiva do hospital, o custo médio calculado pelos pesquisadores foi de US$ 268,41 por paciente na estratégia que utilizou a mamotomia e US$ 491,89 na biópsia cirúrgica. A diferença corresponde a uma economia média estimada de US$ 223,48 por paciente, ou 45,4%.

O resultado, entretanto, precisa ser observado com uma particularidade importante. No modelo atual de reembolso do SUS, a biópsia assistida a vácuo apresentou custo maior para o financiador público. Isso significa que a conclusão do estudo não é simplesmente a de que um procedimento “custa menos” do que o outro. Os pesquisadores analisaram separadamente os custos para o hospital, para o SUS e para a sociedade.

Quando são considerados fatores como afastamento das atividades, recuperação e produtividade, a vantagem econômica estimada da técnica menos invasiva aumenta. A economia social calculada pelo estudo chegou a US$ 352,93 por procedimento.

Os pesquisadores também fizeram projeções sobre uma eventual ampliação da mamotomia na rede pública. Em diferentes cenários de adoção da técnica, a economia estimada para hospitais poderia chegar a US$ 1,29 milhão por ano, enquanto a economia para a sociedade alcançaria US$ 2,03 milhões anuais. Ao mesmo tempo, haveria aumento de gastos para o SUS no atual sistema de reembolso.

Outro ponto considerado é o investimento necessário. Os equipamentos utilizados na biópsia a vácuo custariam, segundo o estudo, entre US$ 80 mil e US$ 120 mil por unidade. Em centros com grande volume de procedimentos, os pesquisadores estimam que os ganhos de eficiência podem compensar o investimento ao longo do tempo.

Os resultados são particularmente relevantes porque o diagnóstico das alterações mamárias não termina na identificação de uma imagem suspeita. Quando mamografia, ultrassonografia ou outros exames indicam a necessidade de investigação, a análise do tecido retirado pela biópsia é que permite ao patologista determinar a natureza da lesão.

A escolha do tipo de biópsia depende das características da alteração encontrada, dos exames de imagem, da avaliação médica e da disponibilidade das técnicas. Por isso, os dados do estudo não significam que toda paciente com lesão suspeita deva realizar mamotomia nem que a biópsia cirúrgica tenha deixado de ter indicação.

O que a pesquisa acrescenta à discussão é outra questão: quando as duas estratégias são clinicamente possíveis, uma técnica menos invasiva pode significar recuperação mais rápida para a mulher e melhor utilização da estrutura hospitalar.

Em um sistema público que precisa conciliar acesso, tempo para diagnóstico, capacidade dos centros cirúrgicos e custos, essa diferença pode ter impacto muito além dos dias necessários para a paciente voltar à rotina.

Texto: Redação Coisas da Dina

Foto: Divulgação

Fonte: Sociedade Brasileira de Mastologia / estudo publicado na Clinical Breast Cancer


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