Radialistas têm duas datas para comemorar uma profissão que se reinventou com o tempo
- 21/09/2026
Celebrado durante décadas em 21 de setembro, o Dia do Radialista passou oficialmente para 7 de novembro em 2006; as duas datas permanecem como referências para profissionais de um meio que atravessou gerações
Os profissionais de rádio brasileiros têm uma particularidade no calendário: podem comemorar o Dia do Radialista duas vezes. Durante muitos anos, a categoria celebrou a profissão em 21 de setembro, data que se consolidou entre os trabalhadores da radiodifusão e permanece lembrada até hoje. Desde 2006, no entanto, o Dia do Radialista é oficialmente comemorado em 7 de novembro.
A mudança ocorreu com a Lei nº 11.327, que instituiu a nova data em homenagem ao nascimento de Ary Barroso, em 7 de novembro de 1903. Compositor de “Aquarela do Brasil”, pianista, apresentador e narrador esportivo, ele foi também um dos personagens marcantes da história da radiodifusão brasileira.
A criação da nova data não apagou a antiga. O 21 de setembro permaneceu no calendário afetivo e profissional de parte da categoria. Na prática, o rádio brasileiro passou a conviver com as duas referências: uma preservada pela tradição dos profissionais e outra estabelecida oficialmente em lei.
A história combina com um meio de comunicação que também aprendeu a conviver com diferentes épocas. O rádio atravessou a chegada da televisão, a popularização da FM, a internet, as redes sociais, o streaming e os podcasts. Mudaram os equipamentos e as formas de transmissão, mas a linguagem baseada na voz, na informação, na música, na prestação de serviço e na companhia permaneceu.
Essa transformação também pode ser acompanhada na trajetória de quem construiu a vida profissional dentro desse universo. A comunicadora Dina RACHID começou no rádio aos 16 anos e, a partir daquela experiência, seguiu uma carreira que posteriormente passou pela televisão, apresentação, entrevistas, produção de conteúdo e formação em comunicação.
“Rádio para mim é movimento, é vida. Faz parte da minha vida e da profissional que me tornei”, afirma Dina.
A experiência diante do microfone também ajudou a formar sua maneira de trabalhar a comunicação. No rádio, a voz precisa fazer parte do trabalho que a imagem desempenha em outros meios. Ritmo, articulação, intenção, escuta e conexão com o público tornam-se fundamentais para que uma informação não seja apenas transmitida, mas compreendida. Parte dessa experiência acumulada ao longo da carreira também está presente no Método RACHID, desenvolvido pela comunicadora.
A relação com o veículo continuou mesmo depois das mudanças tecnológicas. Hoje, Dina mantém uma web rádio no Coisas da Dina, com programas, entrevistas e conteúdos transmitidos pela internet. É uma demonstração prática de como o rádio deixou de estar preso a um aparelho ou a uma frequência para ocupar também computadores e celulares.
Nos últimos anos, essa relação ganhou ainda dois projetos que tratam o rádio por perspectivas diferentes: preservar o que já foi construído e aproximar uma nova geração dessa linguagem.
O Museu do Rádio Itinerante, aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, Artigo 18, sob o PRONAC 264571, foi concebido para levar a memória da radiodifusão diretamente ao público. Instalado em um ônibus adaptado, o projeto prevê circulação por Salvador, Feira de Santana, Ilhéus, Vitória da Conquista e Juazeiro, apresentando equipamentos, sons, personagens e momentos que ajudaram a construir a história do rádio.
As visitas terão aproximadamente 30 minutos, com capacidade prevista de até 240 visitantes por dia. A escolha pelo formato itinerante permite que o museu vá ao encontro do público e leve esse acervo a diferentes cidades baianas, em vez de concentrá-lo em um espaço fixo.
Já o Rádio nas Escolas, também aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, Artigo 18, sob o PRONAC 265141, olha para o futuro. O projeto prevê dez núcleos instalados em dez escolas das mesmas cinco cidades, alcançando diretamente cerca de 300 estudantes.
A proposta utiliza a linguagem radiofônica como instrumento de comunicação e aprendizagem. Para produzir rádio é preciso pesquisar, organizar informações, escrever, entrevistar, ouvir, trabalhar em equipe e assumir responsabilidade sobre aquilo que será divulgado. São competências que permanecem atuais mesmo para uma geração que cresceu cercada por telas e redes sociais.
O Museu do Rádio Itinerante e o Rádio nas Escolas acabam ocupando, assim, duas pontas de uma mesma história. Um trabalha para que a memória da radiodifusão não se perca. O outro apresenta suas ferramentas a jovens que poderão utilizá-las de maneiras que ainda estão sendo construídas.
Se os radialistas brasileiros podem comemorar duas vezes, o próprio rádio já demonstrou que também pode viver muitas vidas. Esteve nos grandes aparelhos das salas, tornou-se portátil, entrou nos automóveis, chegou aos computadores e hoje cabe dentro do celular. A tecnologia mudou várias vezes. A necessidade de comunicar continuou.
“Tenho uma história construída no rádio e hoje tenho a possibilidade de trabalhar também pela preservação dessa memória e pela formação de novos comunicadores. Para mim, isso é uma continuidade”, resume Dina RACHID.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação



