​SUS faz 36 anos: você usa o sistema público de saúde mesmo quando não percebe
- 19/09/2026
Criado a partir da Constituição de 1988 e regulamentado pela Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, sistema vai muito além de consultas e hospitais públicos
O Sistema Único de Saúde completa 36 anos neste sábado (19). Para muita gente, falar em SUS ainda significa pensar imediatamente no posto de saúde, na consulta médica ou no atendimento de um hospital público. Mas o sistema está presente em uma parte muito maior da vida dos brasileiros — inclusive daqueles que possuem plano de saúde e raramente entram em uma unidade pública.
A data de aniversário está ligada à Lei nº 8.080, sancionada em 19 de setembro de 1990. Conhecida como Lei Orgânica da Saúde, ela regulamentou princÃpios estabelecidos pela Constituição Federal de 1988 e organizou o funcionamento do Sistema Único de Saúde no paÃs.
Foi a Constituição que estabeleceu a saúde como direito de todos e dever do Estado. Antes disso, o acesso à assistência pública de saúde estava fortemente relacionado à vinculação do trabalhador à Previdência Social, enquanto grande parcela da população dependia de outras formas de atendimento.
Hoje, a rede do SUS envolve União, estados e municÃpios e vai da atenção básica aos procedimentos de alta complexidade.
E é justamente aà que está uma parte do sistema que nem sempre é percebida pela população.
Você pode usar o SUS sem entrar em um posto de saúde
Vacinação é SUS. O Programa Nacional de Imunizações e o calendário de vacinas oferecidas gratuitamente à população fazem parte dessa estrutura.
O atendimento de urgência do SAMU 192 também integra o sistema. Assim como os transplantes de órgãos realizados dentro da rede pública e toda a estrutura necessária para organizar listas, doações e procedimentos.
O SUS também atua por meio das vigilâncias epidemiológica e sanitária, acompanhando doenças, surtos e riscos à saúde da população.
Há ainda assistência farmacêutica, atenção primária, serviços de média e alta complexidade, atendimento hospitalar e programas de prevenção e promoção da saúde.
Por isso, reduzir o SUS ao atendimento médico gratuito deixa de fora uma parcela enorme do que o sistema representa.
Quando uma campanha de vacinação tenta impedir que uma doença volte a circular, existe uma estrutura pública por trás dela. Quando uma epidemia é identificada e monitorada, existe vigilância em saúde. Quando uma pessoa entra em uma fila para transplante, há um sistema nacional organizando esse processo.
Até a transformação digital já entrou nessa estrutura. Pelo Meu SUS Digital, por exemplo, o cidadão pode consultar informações de vacinação, resultados de exames disponÃveis no sistema, medicamentos dispensados e até acompanhar sua posição na fila do Sistema Nacional de Transplantes.
Um sistema enorme — e com enormes desafios
Reconhecer a importância do SUS não significa ignorar seus problemas.
Filas, demora para consultas especializadas e exames, diferenças de estrutura entre municÃpios e regiões, dificuldades de acesso e pressão sobre hospitais fazem parte da realidade enfrentada diariamente por muitos brasileiros.
Um sistema dessa dimensão precisa ser observado também pelas suas falhas, porque garantir atendimento universal não significa apenas oferecer uma porta de entrada. Significa conseguir fazer com que o paciente atravesse toda a rede de cuidados de que necessita.
Mas os problemas não eliminam uma caracterÃstica fundamental do modelo brasileiro: o acesso ao sistema público de saúde é universal.
Em um paÃs com dimensões continentais e profundas diferenças sociais e econômicas, manter uma estrutura capaz de atender desde uma vacina aplicada em uma unidade básica até um transplante de alta complexidade é um desafio permanente.
Aos 36 anos, talvez o aniversário do SUS seja também uma oportunidade para entender melhor o tamanho dessa rede.
Porque mesmo quem nunca precisou de uma internação pública pode já ter sido vacinado, chamado uma ambulância, utilizado medicamentos ou se beneficiado de alguma ação de vigilância e prevenção.
O SUS não começa na porta do hospital. E muitas vezes está presente na vida do brasileiro antes mesmo que ele perceba.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Ilustrativa



