O caso Banco Master e o retrato de um poder ainda ocupado por homens
- 13/09/2026
Crise coloca autoridades masculinas no centro dos principais desdobramentos, enquanto as mulheres são maioria do eleitorado, mas representam apenas 37% das candidaturas à Câmara
As investigações envolvendo o Banco Master abriram uma das mais graves crises recentes entre integrantes do Supremo Tribunal Federal e voltaram a expor as relações entre poder econômico, política e instituições públicas.
Até o fechamento desta matéria, neste domingo (13), os principais nomes políticos e institucionais presentes nos desdobramentos públicos do caso são homens.
Eles aparecem em posições diferentes. Há investigados, pessoas citadas nos documentos, autoridades responsáveis pela investigação e integrantes das instituições que agora precisam decidir como o caso será conduzido. Portanto, não podem ser colocados todos na mesma condição.
Ainda assim, a predominância masculina nesse espaço de poder é evidente.
O episódio mais recente ocorreu no sábado (12), quando o presidente do Supremo, Luiz Edson Fachin, assumiu a relatoria do processo que trata da suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Fachin também determinou que processos relacionados ao Banco Master e às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social sejam encaminhados à Presidência da Corte.
Na terça-feira (15), o plenário do STF deverá decidir se será aberta uma investigação formal sobre a suposta relação entre Moraes e Vorcaro. Alexandre de Moraes nega ter mantido contato com o ex-banqueiro.
A abertura de uma investigação não representa uma condenação. Mensagens, relatórios e citações precisam ser examinados, confrontados com outras provas e submetidos ao direito de defesa.
Da mesma forma, impedir ou dificultar uma apuração alimentaria ainda mais as dúvidas da sociedade. Quando autoridades públicas são citadas, transparência, investigação independente e tratamento igual perante a lei são obrigações, não favores.
O caso também permite uma reflexão que vai além dos nomes envolvidos. A política brasileira, o Judiciário, as grandes instituições financeiras e os espaços onde decisões importantes são tomadas continuam ocupados majoritariamente por homens.
As mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro em 2026. São quase 84 milhões de eleitoras. Entretanto, entre as candidaturas registradas para a Câmara dos Deputados, elas correspondem a apenas 37%.
O fato de nenhuma mulher com atuação política aparecer no centro dos principais desdobramentos públicos desta crise não significa que mulheres sejam naturalmente mais honestas ou imunes a irregularidades. Essa seria uma conclusão simplista e injusta.
O que o episódio mostra é que as relações de maior influência política e econômica ainda circulam dentro de ambientes predominantemente masculinos.
Ampliar a presença feminina na política não deve significar apenas completar a cota mínima exigida pela legislação. É necessário oferecer recursos, estrutura partidária, visibilidade, segurança e condições reais para que as mulheres disputem eleições de maneira competitiva e participem das decisões.
Mais mulheres no poder não são uma garantia automática contra a corrupção. Representam, porém, maior diversidade de experiências, mais equilíbrio na ocupação dos espaços públicos e a possibilidade de romper círculos de influência historicamente fechados.
O caso Banco Master ainda está sob investigação e pode apresentar novos fatos. Independentemente do resultado, uma lição já está diante do país: uma democracia formada majoritariamente por eleitoras não pode continuar sendo comandada quase exclusivamente por homens..
Redação Coisas da Dina
Foto: Antonio Augusto/Secom



