​Onze trabalhadores são resgatados após décadas sem direitos em fazenda na Bahia
- 10/09/2026
Grupo atuava na extração de piaçava em Nazaré; alguns trabalhadores viviam na propriedade havia cerca de 40 anos
Onze trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em uma fazenda de extração de piaçava no municÃpio de Nazaré, no Recôncavo Baiano.
De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, alguns integrantes do grupo viviam na propriedade havia aproximadamente quatro décadas. Parte deles nasceu no local e constituiu famÃlia na região.
Nenhum dos trabalhadores possuÃa registro formal de emprego. Sem o reconhecimento do vÃnculo, eles não tinham acesso regular a direitos como férias, 13º salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e exames ocupacionais.
Moradias sem condições adequadas
A fiscalização encontrou casas de taipa com telhados e paredes deteriorados, sem banheiros, água potável ou iluminação adequada. Uma das construções já havia desabado.
Os moradores utilizavam um buraco cercado por lonas e estacas como banheiro. A água retirada de fontes naturais e riachos também era utilizada para consumo.
Para chegar às plantações, os trabalhadores caminhavam cerca de uma hora. Em determinados momentos, transportavam a piaçava sobre a cabeça.
Segundo os relatos recolhidos durante a operação, não eram fornecidos equipamentos de proteção nem treinamento de segurança. Cortes provocados por facões e pela própria fibra faziam parte dos riscos enfrentados diariamente.
Pagamento dependia da produção
A remuneração era calculada de acordo com a quantidade produzida. Esse sistema levava os trabalhadores a prolongar a jornada e a trabalhar inclusive aos fins de semana e feriados.
Depois da fiscalização, os vÃnculos empregatÃcios foram formalizados retroativamente no eSocial, considerando as respectivas datas de admissão.
Também foi determinado o recolhimento das contribuições previdenciárias e dos valores referentes ao FGTS.
O caso mostra que o trabalho análogo à escravidão não está restrito a regiões distantes ou atividades clandestinas. Ele também pode permanecer escondido durante décadas por trás da informalidade, da pobreza e da dependência econômica.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação/MTE
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego



