​Quando a moda pensa por você: o efeito manada nas redes sociais

  • 09/09/2026

​Quando a moda pensa por você: o efeito manada nas redes sociais

Busca por pertencimento leva pessoas a repetir hábitos, comprar produtos e adotar comportamentos sem avaliar se aquilo realmente faz sentido

Uma nova tendência nas redes sociais sugere que jovens deixem de tomar banho antes de encontros amorosos para preservar supostos “feromônios naturais” e aumentar a atração.

A prática ganhou visibilidade especialmente no TikTok. Não há, entretanto, comprovação científica sólida de que deixar de tomar banho torne alguém mais atraente. Pesquisas sobre os chamados feromônios humanos ainda apresentam resultados inconclusivos.

O caso pode parecer apenas uma brincadeira da internet, mas revela um comportamento cada vez mais comum: pessoas adotam hábitos porque todos parecem estar fazendo a mesma coisa.

É o chamado efeito manada. Diante de uma escolha, o indivíduo observa o grupo e segue a maioria, muitas vezes sem analisar riscos, consequências ou até mesmo a origem daquela tendência.

O desejo de pertencer

O ser humano sempre buscou aceitação social. Roupas, cortes de cabelo, expressões, músicas e comportamentos ajudam a demonstrar que alguém pertence a determinado grupo.

A internet não criou essa necessidade. O que as redes fizeram foi aumentar sua velocidade e seu alcance.

Antes, uma moda levava meses para atravessar cidades e países. Agora, um vídeo pode transformar um hábito estranho em tendência mundial durante uma madrugada.

Quando milhares de pessoas repetem uma prática, ela começa a parecer normal, correta e até necessária. O número de visualizações funciona como uma espécie de aprovação coletiva.

Mas popularidade não é sinônimo de qualidade, verdade ou segurança.

O algoritmo alimenta a impressão de maioria

As redes sociais mostram mais conteúdos semelhantes àqueles que despertaram a atenção do usuário. Se uma pessoa assiste a dois ou três vídeos sobre determinada tendência, a plataforma passa a entregar outros do mesmo tipo.

Isso produz uma falsa sensação de unanimidade. O usuário começa a acreditar que “todo mundo está fazendo”, quando pode estar vendo apenas uma pequena parcela da realidade repetida pelo algoritmo.

É o que pesquisadores chamam de “ilusão da maioria”: um comportamento minoritário pode parecer dominante quando aparece com frequência dentro de uma rede.

A repetição diminui o estranhamento. Aquilo que inicialmente parecia absurdo começa a ser considerado aceitável — e depois vira regra para quem tem medo de ficar de fora.

Nem toda tendência é ruim

Seguir uma moda não é necessariamente um problema. Tendências podem estimular atividade física, leitura, solidariedade, cuidados com a saúde e valorização de culturas antes ignoradas.

O risco surge quando participar se torna mais importante do que pensar.

Dietas radicais, desafios perigosos, procedimentos estéticos, compras por impulso e falsas soluções para relacionamentos podem ganhar força porque oferecem pertencimento e resultados aparentemente rápidos.

No caso da falta de banho antes de encontros, um levantamento divulgado pelo aplicativo ysos mostra uma diferença entre o discurso das redes e a experiência dos próprios usuários.

Entre os participantes consultados, todos manifestaram algum receio de encontrar uma parceria sem higiene, enquanto 42,9% declararam sentir muito medo dessa possibilidade. Como o material não informa o tamanho nem a metodologia da amostra, os números não devem ser utilizados para representar toda a população brasileira.

Ainda assim, o resultado expõe uma contradição: uma prática pode viralizar sem ser realmente desejada fora da tela.

Como não entregar suas escolhas à internet

Antes de aderir a uma tendência, algumas perguntas ajudam a separar vontade própria de pressão coletiva:

  • Eu faria isso se ninguém pudesse ver ou comentar?
  • Existe alguma evidência ou apenas repetição?
  • Quem está promovendo essa prática ganha dinheiro com ela?
  • Há riscos para minha saúde, segurança ou vida financeira?
  • Estou escolhendo ou apenas tentando não ficar de fora?

Autenticidade não é fazer o contrário de todo mundo. Também não é acompanhar todas as novidades para provar que está atualizado.

Ser autêntico é conseguir participar quando existe identificação e recusar quando a proposta não faz sentido.

A moda passa. O algoritmo encontra outro assunto. As consequências, porém, permanecem com quem apertou o botão, comprou o produto ou adotou o comportamento.

Texto: Redação Coisas da Dina

Foto: Banco de imagens

Fonte: ysos


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Anunciantes