Falsos médicos criados por inteligência artificial vendem curas e colocam pacientes em risco
- 09/09/2026
Governo identificou 97 perfis que simulavam profissionais de saúde para divulgar tratamentos sem comprovação e comercializar produtos
Vídeos produzidos com inteligência artificial estão criando falsos médicos para recomendar tratamentos, anunciar curas milagrosas e vender produtos pela internet.
Uma análise do programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, identificou 97 perfis com esse tipo de conteúdo entre janeiro e julho de 2026.
Os personagens possuem aparência e voz humanas, apresentam qualificações profissionais fictícias e utilizam linguagem alarmista para convencer quem assiste.
Parte do conteúdo é direcionada especialmente às pessoas idosas. Em alguns casos, a falsa autoridade médica é usada para comercializar medicamentos, suplementos, livros digitais e serviços pagos.
A Advocacia-Geral da União notificou o YouTube para retirar os vídeos identificados ou informar claramente aos usuários que os personagens foram criados artificialmente.
O material também foi encaminhado à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina.
Risco vai além da mentira
O maior perigo aparece quando uma pessoa troca a orientação de um profissional por aquilo que viu em um vídeo.
A desinformação pode levar à automedicação, ao uso de substâncias sem eficácia, ao adiamento de consultas e até à interrupção de um tratamento prescrito.
Promessas de resultado imediato, tratamentos que serviriam para várias doenças e pedidos para abandonar medicamentos são sinais de alerta.
Antes de seguir qualquer orientação, é importante verificar se o profissional realmente existe, procurar o registro informado nos canais dos conselhos de medicina e conversar com um médico de confiança.
A inteligência artificial pode ajudar na educação e na pesquisa, mas também permite criar pessoas que nunca existiram. Aparência convincente, jaleco e linguagem técnica já não são provas de que existe um médico do outro lado da tela.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação/Ministério da Saúde



