​A busca pela longevidade quando viver mais vira pressão e afeta a saúde mental

  • 14/02/2026

​A busca pela longevidade quando viver mais vira pressão e afeta a saúde mental

A ideia de viver mais e melhor nunca esteve tão presente no imaginário coletivo. Alimentação funcional, biohacking, rotinas de exercício, suplementos, exames preventivos e promessas de juventude prolongada ocupam espaço diário nas redes sociais, nos podcasts e nas conversas cotidianas. Cuidar da saúde é fundamental. O problema começa quando esse cuidado deixa de ser escolha consciente e passa a virar cobrança permanente.

Um debate recente reacendido por um artigo do jornal britânico The Guardian chama atenção para o que especialistas têm chamado de “síndrome da fixação pela longevidade”. Trata-se de um comportamento cada vez mais comum, em que a busca por viver mais se transforma em uma obsessão por controlar cada detalhe do corpo, da alimentação e do desempenho físico, muitas vezes guiada por modismos, soluções milagrosas e informações sem base científica sólida.

Nesse cenário, a saúde deixa de ser sinônimo de bem-estar e passa a ser uma fonte constante de ansiedade. Dietas extremas, treinos exaustivos, rotinas rígidas e uma vigilância excessiva sobre o próprio corpo podem gerar frustração, culpa e sensação de fracasso quando os resultados prometidos não aparecem. Em vez de mais vitalidade, o que surge é estresse, exaustão emocional e uma relação pouco saudável com o próprio envelhecimento.

As redes sociais desempenham um papel central nesse processo. O excesso de conteúdos que vendem fórmulas prontas para a longevidade cria a falsa impressão de que é possível controlar completamente o tempo, o corpo e o destino. Comparações constantes, discursos de performance e a glamourização de hábitos extremos contribuem para um ambiente de pressão silenciosa, que afeta tanto figuras públicas quanto pessoas comuns.

Viver mais não pode significar viver sob tensão permanente. A ciência já aponta que saúde de verdade passa por equilíbrio, constância e, sobretudo, prazer em viver. Alimentar-se bem, movimentar o corpo, dormir melhor e cuidar da saúde mental são práticas que devem sustentar a vida, não dominá-la.

Talvez o caminho mais saudável seja trocar a pergunta “como viver mais?” por “como viver melhor agora?”. Aceitar os limites do corpo, respeitar o tempo de cada fase da vida e fazer escolhas possíveis, e não perfeitas, pode ser o verdadeiro segredo de uma longevidade com sentido.

No Coisas da Dina, a gente acredita que viver bem não é seguir fórmulas milagrosas, mas construir uma relação mais honesta, gentil e consciente com o próprio corpo, com o tempo e com a vida.

Foto: Ilustrativa 


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