7 de Setembro também marca o nascimento público do rádio no Brasil
- 07/09/2026
Data celebra os 204 anos da Independência e lembra a transmissão histórica realizada no Rio de Janeiro em 1922
O Brasil celebra nesta segunda-feira (7) os 204 anos da declaração de Independência, proclamada por Dom Pedro em 7 de setembro de 1822.
A data começou a ser construída como celebração nacional ainda no Império. Em 1826, uma lei assinada por Dom Pedro I incluiu o 7 de Setembro entre as festividades nacionais.
Em 1949, a Lei nº 662 estabeleceu oficialmente o 7 de Setembro como feriado nacional. A legislação foi atualizada posteriormente, mas a data permaneceu no calendário brasileiro.
A independência, porém, não aconteceu por meio de um único ato. Em diferentes regiões, os conflitos contra as tropas portuguesas continuaram depois de setembro de 1822.
Na Bahia, a separação política somente foi consolidada em 2 de julho de 1823, depois de batalhas que tiveram a participação de soldados, indígenas, negros, mulheres e moradores de diferentes regiões do estado.
O rádio entra na história
Cem anos depois da declaração da Independência, o 7 de Setembro ganhou outro significado para a comunicação brasileira.
Durante a abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência, no Rio de Janeiro, foi realizada a primeira grande transmissão pública e oficial de rádio do país.
Uma estação de 500 watts, instalada no alto do Corcovado, transmitiu o discurso do presidente Epitácio Pessoa. O som chegou a aproximadamente 80 receptores importados e instalados em pontos estratégicos da cidade.
A transmissão também pôde ser captada em Niterói, Petrópolis e São Paulo.
Naquela noite, o público ouviu pelo rádio a ópera “O Guarany”, de Carlos Gomes, apresentada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Existiram experiências anteriores. O padre e inventor Roberto Landell de Moura realizou transmissões sem fio ainda no final do século XIX, e a Rádio Clube de Pernambuco iniciou atividades experimentais em 1919.
Por isso, os historiadores tratam o acontecimento de 1922 como a primeira grande transmissão pública e oficialmente reconhecida, não como a primeira experiência técnica realizada no Brasil.
No ano seguinte, a criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro ajudaria a transformar aquela demonstração em um novo meio de comunicação.
Uma memória que precisa circular
Mais de um século depois, o rádio continua chegando a lugares onde outras tecnologias nem sempre alcançam. Mudou de aparelho, atravessou ondas curtas, frequência modulada, satélite e internet, mas preservou sua principal força: a proximidade criada pela voz.
O Museu do Rádio Itinerante, idealizado pela comunicadora Dina RACHID, nasce com a proposta de levar essa história para diferentes cidades.
Equipamentos, documentos, gravações, vinhetas, radionovelas, transmissões esportivas e vozes que marcaram época ajudam a contar como o rádio acompanhou as transformações do Brasil.
O rádio não é apenas uma invenção do passado. É memória viva, patrimônio cultural e parte da identidade de milhões de brasileiros.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: acervo histórico/Fundação Biblioteca Nacional



