Brasil avança com incentivos para data centers usados por serviços de nuvem e inteligência artificial
- 05/09/2026
Projeto aprovado pelo Congresso reduz impostos para equipamentos, mas estabelece exigências relacionadas ao consumo de energia e água
O Congresso Nacional aprovou um regime tributário destinado a incentivar a instalação de data centers no Brasil.
Essas estruturas concentram computadores e servidores utilizados para armazenar informações, operar serviços em nuvem e processar sistemas de inteligência artificial.
O projeto já passou pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Agora, depende de sanção para se transformar em lei.
A proposta cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, o Redata. Entre as medidas está a redução a zero de impostos federais cobrados na importação de componentes eletrônicos e equipamentos de tecnologia sem produção nacional equivalente.
A intenção é diminuir o custo de instalação dessas estruturas e ampliar a capacidade brasileira de processar e armazenar dados dentro do país.
Benefícios terão contrapartidas
As empresas beneficiadas deverão utilizar energia proveniente de fontes renováveis ou de baixa emissão e cumprir um índice de eficiência no uso da água empregada na refrigeração dos equipamentos.
Também deverão investir no Brasil o equivalente a 2% do valor dos produtos comprados com incentivo fiscal e reservar 10% dos serviços oferecidos para o mercado interno.
A estimativa é que a renúncia de impostos chegue a R$ 5,2 bilhões em 2026 e fique próxima de R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos seguintes.
A instalação de novos data centers pode atrair investimentos, ampliar a infraestrutura digital e atender ao crescimento da inteligência artificial. Mas existe outro lado: essas estruturas consomem grandes quantidades de energia e água.
Organizações da sociedade civil também alertam que manter servidores no país não garante, sozinho, a chamada soberania digital. Segurança, proteção dos dados, pesquisa nacional e desenvolvimento de tecnologia própria continuam sendo necessários.
O Brasil pode ganhar musculatura digital com os novos investimentos. O resultado dependerá da fiscalização das contrapartidas e da capacidade de transformar benefícios fiscais em inovação produzida no país.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação/Gov.br
Fonte: Agência Brasil e Senado Federal



