O amor pelo rádio. Por Dina Rachid

  • 13/02/2026

O amor pelo rádio. Por Dina Rachid

Estou no rádio há 42 anos. Quase 43. Dividida entre rádio, televisão e estúdios de gravação, construí uma trajetória em que a voz nunca foi apenas som. Sempre foi ferramenta, responsabilidade e identidade. Comecei no rádio aos 16 anos e quando chegue na não fui pedir emprego e sim divulgar uma festa. Saí de lá com proposta de emprego e quase matei minha mãe do coração. 

Entrei na rádio Cidade Morena, que fica em Belém do Pará, pela primeira vez sem imaginar que aquele seria o meu lugar no mundo. Nunca mais saí desse mundo fascinante. O rádio me escolheu antes mesmo de eu saber o que queria ser. Aos 17 anos vim morar em Salvador e aqui fiz a minha carreira profissional. 

Aos 23 anos, fui convidada para implantar minha primeira emissora. A Sauípe FM, fica em Mata de São João, município baiano estratégico, próximo à Região Metropolitana de Salvador. Foi ali que vivi, na prática, o que é estruturar comunicação, formar equipes, dialogar com o território e entender o rádio como serviço essencial.

Ao longo dessas mais de quatro décadas, passei por diferentes emissoras, formatos e linguagens. Rádio musical, jornalístico, entretenimento, campanhas institucionais e políticas, televisão e estúdios de gravação. Cada ambiente lapidou minha voz. Técnica, intenção, ritmo, escuta e responsabilidade com a palavra.

O rádio foi a minha grande escola.Foi ali que aprendi que a voz não é apenas o que se diz, mas como se diz, quando se diz e para quem se diz. Essa formação profunda é a base do trabalho que desenvolvo hoje com o Poder da voz e de um método criado por mim e que leva o meu sobrenome:  RACHID. Um método que transforma décadas de prática em formação para lideranças, profissionais, servidores públicos, comunicadores e pessoas que precisam se expressar com clareza, presença e autoridade.

Ao atuar em campanhas políticas e projetos institucionais, compreendi ainda mais o papel estratégico do rádio. Em muitas cidades brasileiras, ele segue sendo o principal, e às vezes o único, canal de informação confiável. Onde a internet não chega, o rádio permanece. Onde a imagem falha, a voz sustenta.

Por isso, ao ler os dados divulgados pelo Ministério das Comunicações neste Dia Mundial do Rádio, não leio apenas números. Vejo um movimento histórico. A ampliação das outorgas, o fortalecimento das rádios comunitárias e educativas e a retomada das concessões representam mais do que crescimento do setor. Representam cidadania, diversidade de vozes e acesso à comunicação.

O rádio mudou de plataforma, mas não perdeu a essência. Foi nesse espírito que criei minha Web Rádio, com programas curtos, objetivos, de cinco minutos, temas variados e foco total na qualidade da comunicação. Assim como fiz a vida inteira, formei pessoas para falar no rádio. Desta vez, no Brasil e em diferentes partes do mundo.

Hoje, sigo comprometida com o futuro da radiodifusão por meio de projetos estruturantes como o Rádio nas Escolas, voltado à formação da escuta, da expressão verbal e do pensamento crítico de crianças e jovens, e o Museu do Rádio Itinerante, que preserva a memória e apresenta o rádio como patrimônio cultural, educativo e social.

O rádio vive porque vozes, forma cidadãos.E enquanto houver alguém disposto a escutar, ele continuará sendo essencial.

E viva o rádio brasileiro. 

Por Dina Rachid. Radialista com muito orgulho. 


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