Bahia é o 2º estado com mais inquéritos por importunação sexual, aponta levantamento do Escavador
- 13/02/2026
Com o Carnaval oficialmente aberto na quinta-feira, dia 12, as avenidas de todo o país foram tomadas por foliões e pela energia típica da maior festa popular brasileira. Junto com a alegria, porém, um tema volta a exigir atenção redobrada já nos primeiros dias de folia: a importunação sexual.
Levantamento inédito do Escavador mostra que, entre 2023 e 2026, mais de 22 mil processos por importunação sexual tramitaram na Justiça brasileira. O estudo também destaca o peso do período carnavalesco nas estatísticas: fevereiro e março concentram aumento de registros, com mais de 3,8 mil processos acumulados nos últimos três anos associados a esse recorte do calendário.
A importunação sexual é definida pela Lei nº 13.718 como a prática de ato libidinoso sem consentimento, com intenção de satisfazer desejo próprio. As situações mais relatadas incluem toques não autorizados, beijos forçados, o chamado frotteurismo (esfregar-se na vítima em meio à multidão) e até registros de fotos e vídeos íntimos sem consentimento. Denúncias costumam ser feitas pelo Disque 180 e, quando formalizadas, viram inquéritos e processos judiciais.
Os dados apontam crescimento de 12,9% no número de inquéritos na comparação entre os primeiros anos da série analisada. Em março de 2025, mês em que ocorreu o Carnaval, a média mensal de registros por importunação sexual ficou 18,75% acima da média anual, indicando como grandes eventos ampliam a vulnerabilidade em ambientes de aglomeração.
No recorte por estados, a Bahia aparece em 2º lugar no país, com 2.502 inquéritos, atrás apenas de Minas Gerais. O levantamento mostra ainda que Sudeste e Nordeste concentram os maiores volumes, com forte presença desses casos nos cinco primeiros estados do ranking.
O estudo também observa um dado de alívio no início de 2026: janeiro registrou 225 processos no Brasil, número bem abaixo do mesmo período do ano anterior. A avaliação é que campanhas como “Não é Não” vêm ajudando a ampliar a conscientização e estimular o registro correto das ocorrências, o que também pressiona por resposta mais rápida e tipificação adequada.
Além da importunação sexual, o levantamento cita o assédio sexual, que costuma ocorrer em relações hierárquicas, como trabalho e ambientes institucionais. Entre 2023 e 2026, foram mais de 13 mil processos por assédio sexual no país. O alerta vale especialmente para quem trabalha no Carnaval, em camarotes, equipes de serviço e bastidores, onde a exposição também existe e a denúncia é um direito.
Com a folia já em curso desde quinta-feira, a mensagem é direta: Carnaval é rua, alegria e liberdade, mas sem ultrapassar o limite do outro. Respeito não é enfeite de campanha, é condição básica para a festa ser boa para todo mundo.
Coisas da Dina. Aqui, a gente acredita em respeito.
Foto: ilustrativa



