Setembro Amarelo: cinco mudanças na rotina que merecem atenção
- 27/08/2026
Alterações persistentes no sono, irritabilidade, isolamento e perda de interesse podem indicar sofrimento emocional e necessidade de ajuda profissional
O sofrimento emocional nem sempre começa com uma crise evidente. Muitas vezes, aparece por meio de mudanças graduais no sono, no comportamento, nos relacionamentos e na capacidade de realizar atividades cotidianas.
Durante o Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre saúde mental e prevenção ao suicídio, especialistas reforçam a importância de observar sinais que costumam ser confundidos com cansaço, estresse ou uma fase difícil.
A neurocientista Carol Garrafa, fundadora da consultoria Santé, alerta que essas mudanças merecem atenção principalmente quando persistem e começam a prejudicar o trabalho, os estudos, os relacionamentos e os cuidados pessoais.
Um sinal isolado não representa diagnóstico de depressão ou de outro transtorno mental. A intensidade, a frequência, o tempo de duração e o conjunto das mudanças precisam ser considerados por um profissional habilitado.
1. Alterações importantes no sono
Uma noite mal dormida pode acontecer com qualquer pessoa. O alerta surge quando a dificuldade para adormecer, os despertares frequentes, o sono excessivo ou a sensação de cansaço ao acordar tornam-se constantes.
O sono participa da regulação das emoções, da memória e da recuperação do organismo. Alterações persistentes podem piorar a irritabilidade, a ansiedade e a dificuldade de concentração.
Problemas físicos, medicamentos e distúrbios do sono também podem causar essas mudanças. Por isso, a avaliação profissional é importante.
2. Irritabilidade constante
O sofrimento emocional não se manifesta apenas por meio da tristeza. Impaciência, crises de raiva, intolerância e reações desproporcionais diante de situações simples também podem indicar sobrecarga.
Quando a pessoa permanece em estado de tensão por muito tempo, pequenos problemas podem ser percebidos como ameaças maiores do que realmente são.
O ponto de atenção é a mudança de padrão: alguém que costumava reagir de determinada maneira passa a demonstrar irritação frequente e dificuldade para recuperar o equilíbrio.
3. Isolamento social
Evitar conversas, cancelar compromissos repetidamente e perder o interesse pelo convívio com familiares e amigos podem ser sinais de sofrimento.
A pessoa nem sempre se afasta porque deixou de gostar dos outros. Em alguns casos, sente-se sem energia, acredita que será um peso ou não consegue explicar aquilo que está enfrentando.
Em vez de cobrar ou julgar, familiares e amigos podem oferecer presença e escuta. Perguntar com respeito como a pessoa está se sentindo pode abrir um caminho para a busca de ajuda.
4. Dificuldade de concentração e esquecimentos
O estresse prolongado e a sobrecarga emocional podem comprometer a atenção, a memória e a tomada de decisões.
A pessoa começa uma tarefa e não consegue concluí-la, esquece compromissos, perde objetos ou encontra dificuldade para organizar atividades que antes realizava normalmente.
Esses sintomas não devem ser interpretados automaticamente como falta de responsabilidade ou preguiça. Quando se tornam frequentes, precisam ser investigados.
5. Perda de interesse e prazer
Deixar de sentir prazer em atividades antes importantes é um dos sinais que mais exigem atenção.
A pessoa pode abandonar hobbies, reduzir o contato com amigos, perder a motivação para trabalhar ou deixar de cuidar de si mesma. Quando esse desinteresse permanece por dias ou semanas e vem acompanhado de desesperança, isolamento ou pensamentos negativos, a busca por ajuda não deve ser adiada.
Como acolher alguém em sofrimento
O Ministério da Saúde orienta que os sinais não sejam analisados isoladamente. Não existe uma fórmula capaz de identificar uma crise com segurança.
Ao perceber mudanças importantes, procure conversar em um ambiente reservado, escute sem interromper e evite frases como “isso é falta de vontade”, “você precisa reagir” ou “há pessoas em situação pior”.
Perguntar diretamente se a pessoa está pensando em morrer ou se machucar não incentiva o suicídio. A pergunta pode permitir que ela fale sobre o sofrimento e receba ajuda.
Se houver risco imediato, intenção de suicídio ou planejamento, a pessoa não deve ficar sozinha. Procure uma UPA, pronto-socorro ou hospital, ou acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo telefone 192.
Onde buscar ajuda
O atendimento pode começar nas Unidades Básicas de Saúde e nos Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS.
O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, durante 24 horas, todos os dias. Também há atendimento por chat e e-mail no site do CVV.
Reconhecer que alguma coisa mudou é importante. Mas o passo decisivo é não transformar sofrimento em silêncio.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação
Fontes: Carol Garrafa/Santé, Ministério da Saúde e Centro de Valorização da Vida



