​Avaliação Nacional de Vinhos coloca 569 amostras à prova sem revelar marcas

  • 27/08/2026

​Avaliação Nacional de Vinhos coloca 569 amostras à prova sem revelar marcas

Degustação às cegas começa em 1º de setembro e reunirá 108 enólogos para selecionar os vinhos mais representativos da Safra 2026

Sem rótulo, marca, origem ou qualquer informação sobre o produtor. Diante dos enólogos, estarão apenas a taça, o vinho e a identificação da categoria na qual a amostra foi inscrita.

É assim que começa, em 1º de setembro, a Degustação de Seleção da 34ª Avaliação Nacional de Vinhos – Safra 2026. Nesta etapa, 569 amostras serão submetidas à análise sensorial de 108 enólogos.

Promovida pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), a avaliação busca apresentar um retrato técnico da safra brasileira. Antes de chegarem às taças dos degustadores, os vinhos foram recolhidos diretamente em 84 vinícolas de dez estados e do Distrito Federal.

A coleta na origem e a degustação às cegas ajudam a preservar a identidade das amostras e a reduzir interferências externas no julgamento.

O vinho precisa falar por si

Durante a seleção, os enólogos não recebem informações sobre vinícola, região, marca, preço ou posicionamento comercial.

Cada amostra é identificada por um código e servida em condições controladas. A proposta é permitir que os profissionais concentrem a avaliação exclusivamente nas características visuais, olfativas e gustativas apresentadas pelo vinho.

O cuidado começa antes do serviço. Diretores da ABE acompanham a organização das amostras, enquanto garçons especializados servem cada vinho na temperatura indicada para sua categoria.

O ambiente também é preparado para manter o silêncio e evitar estímulos que possam interferir na percepção dos degustadores.

Cada enólogo registra individualmente suas notas em um computador, por meio de um programa desenvolvido para a avaliação.

O processo segue normas internacionais adotadas pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho, a OIV.

Rigor técnico dá credibilidade ao resultado

A degustação às cegas é um dos pontos centrais da Avaliação Nacional de Vinhos. Ao retirar nomes conhecidos, embalagens e informações comerciais, o método reduz a influência da reputação de uma vinícola sobre a análise.

“O enólogo precisa ter diante de si apenas o vinho e avaliá-lo tecnicamente. Existe um trabalho muito cuidadoso nos bastidores, desde a identificação até o serviço das amostras, justamente para preservar a isenção”, afirma o presidente da ABE, o enólogo Mário Lucas Ieggli.

Segundo ele, esse rigor sustenta a credibilidade conquistada pela avaliação ao longo de mais de três décadas.

Das 569 amostras às 16 taças

Com base nas notas dos especialistas, serão identificados os 30% de vinhos mais representativos de cada categoria.

Desse grupo sairão as 16 amostras escolhidas para representar a Safra 2026 na apresentação oficial da 34ª Avaliação Nacional de Vinhos.

Até a divulgação do resultado, os nomes das vinícolas e dos produtos permanecerão em sigilo.

A apresentação será realizada no dia 17 de outubro, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, as 16 amostras serão degustadas simultaneamente por 800 participantes, entre produtores, enólogos, profissionais do setor e apreciadores de vinho.

Mais do que estabelecer uma classificação, a avaliação permite observar as características da safra em diferentes regiões produtoras. E, até que as taças selecionadas sejam reveladas, vale uma regra simples: não é a marca que deve convencer. É o vinho.

Texto: Redação Coisas da Dina

Foto: Divulgação/ABE

Fonte: Associação Brasileira de Enologia


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