Visibilidade, pressão social e saúde mental voltam ao centro do debate público
- 13/02/2026
A relação entre exposição, cobrança social e saúde mental voltou a ganhar destaque nos últimos dias após a cantora Luisa Sonza revelar publicamente que enfrenta depressão e ansiedade e que está em tratamento. O relato reacendeu uma discussão que vai além do universo das celebridades e alcança um número cada vez maior de pessoas que vivem sob pressão constante no ambiente digital.
A visibilidade, muitas vezes associada a sucesso, reconhecimento e influência, tem um custo psicológico alto. Para figuras públicas, a exposição contínua, a vigilância permanente das redes sociais e o julgamento imediato de comportamentos, falas e escolhas pessoais criam um ambiente de tensão constante. A cultura do cancelamento, marcada por linchamentos virtuais e cobranças morais instantâneas, potencializa esse cenário e contribui para quadros de ansiedade, depressão, esgotamento emocional e isolamento.
Especialistas em saúde mental alertam que o impacto da exposição não se restringe a artistas, influenciadores ou pessoas famosas. Com a popularização das redes sociais, indivíduos “comuns” também passaram a viver sob uma lógica de performance permanente: necessidade de aprovação, comparação constante, medo de errar em público e pressão para corresponder a padrões irreais de sucesso, felicidade e produtividade. O ambiente digital, que deveria ampliar conexões, muitas vezes se transforma em espaço de cobrança, hostilidade e adoecimento.
Dados de pesquisas recentes em psicologia digital indicam aumento significativo de sintomas de ansiedade e depressão associados ao uso intenso de redes sociais, especialmente entre jovens e adultos jovens. A lógica do engajamento, baseada em curtidas, comentários e visualizações, reforça a ideia de validação externa como métrica de valor pessoal, fragilizando a autoestima e dificultando a construção de limites emocionais saudáveis.
No caso de pessoas públicas, o problema se agrava pela dificuldade de separação entre vida profissional e pessoal. A figura pública se torna personagem permanente, sem espaço para falhas, vulnerabilidades ou silêncio. Qualquer retraimento é interpretado como fraqueza; qualquer posicionamento, como motivo para ataques. Esse ambiente hostil dificulta o pedido de ajuda e, muitas vezes, prolonga o sofrimento psicológico.
O debate reacendido pelo relato de Luísa Sonza contribui para quebrar estigmas e reforça a importância de tratar saúde mental como tema de interesse coletivo, e não como fragilidade individual. Falar sobre depressão, ansiedade e tratamento não é sinal de fracasso, mas de responsabilidade consigo e com os outros.
Ao mesmo tempo, o episódio convida à reflexão sobre o papel da sociedade, da mídia e dos usuários das redes sociais na construção de um ambiente menos adoecedor. Empatia, escuta, respeito aos limites e consciência sobre o impacto das palavras são elementos centrais para transformar o espaço digital em um território mais humano.
A discussão que emerge agora não é apenas sobre fama ou cancelamento, mas sobre como vivemos, nos comunicamos e lidamos com o outro em uma era de exposição permanente. Cuidar da saúde mental, individual e coletivamente, passa também por rever a forma como consumimos, julgamos e reagimos às vidas que se tornam públicas, inclusive as nossas.
Foto: Ilustrativa



