Agosto Lilás: onde mulheres vítimas de violência encontram ajuda gratuita em Salvador
- 24/08/2026
Rede municipal oferece atendimento psicológico e social, encaminhamento jurídico e acolhimento protegido para mulheres e filhos
A violência doméstica não se resume à agressão física. Humilhação, ameaças, controle do dinheiro, retenção de documentos, destruição de bens e isolamento também são formas de violência.
Em Salvador, mulheres que vivem situações como essas podem procurar atendimento gratuito em dois Centros de Referência especializados. A rede municipal também conta com uma casa de acolhimento que funciona 24 horas para casos em que a mulher precisa deixar a própria residência por segurança.
Somente em 2026, os equipamentos realizaram 8.160 atendimentos. Treze mulheres precisaram ser acolhidas. As ocorrências mais frequentes envolveram violência psicológica, patrimonial e moral.
Como funciona o atendimento
O primeiro contato é realizado por uma profissional capacitada para ouvir o relato sem julgamento e identificar as necessidades mais urgentes.
Depois da escuta inicial, psicólogas e assistentes sociais dão continuidade ao atendimento. A mulher recebe apoio para compreender a situação, avaliar os riscos e construir um caminho para romper o ciclo de violência.
Quando necessário, são feitos encaminhamentos para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Defensoria Pública, unidades de saúde e outros serviços da rede de proteção.
Os centros também desenvolvem atividades preventivas, como rodas de conversa, encontros nas comunidades e orientações sobre os sinais de um relacionamento abusivo.
Violência patrimonial também precisa ser reconhecida
Entre os casos atendidos, a violência patrimonial aparece com frequência. Ela pode ocorrer quando o agressor controla o dinheiro da mulher, impede que trabalhe, retém documentos, destrói objetos ou dificulta o acesso a bens e serviços.
Uma parceria firmada com a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais permite auxiliar na emissão de certidões para mulheres que tiveram documentos retirados, escondidos ou destruídos.
Recuperar a documentação pode ser decisivo para acessar serviços públicos, solicitar medidas de proteção, procurar trabalho e reconstruir a própria autonomia.
Acolhimento para mulheres e filhos
Quando permanecer em casa representa risco, a mulher pode ser encaminhada à Casa de Acolhimento à Mulher Soteropolitana Irmã Dulce.
A unidade tem capacidade para receber até 18 mulheres, acompanhadas ou não de filhos com até 12 anos.
Além da moradia temporária, o local oferece atendimento psicológico e social, orientação jurídica, cuidados de saúde e apoio de uma equipe formada por enfermeiras, assistentes sociais, psicólogas, advogadas e plantonistas.
As mulheres acolhidas também podem participar de capacitações profissionais, atividades de saúde e rodas de conversa. O objetivo não é apenas oferecer abrigo por alguns dias, mas criar condições para que possam reorganizar a vida com segurança.
O encaminhamento para o acolhimento protegido é realizado pelos órgãos da rede, incluindo delegacias especializadas.
Onde procurar ajuda em Salvador
Centro de Referência Loreta Valadares
Onde: Casa da Mulher Brasileira, Avenida Tancredo Neves, Caminho das Árvores
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
Telefone: (71) 3202-7396
Centro de Referência Especializado Arlette Magalhães
Onde: Rua José Seixas Filho, Fazenda Grande II, região de Cajazeiras
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
Telefone: (71) 3202-7380
Casa de Acolhimento à Mulher Soteropolitana Irmã Dulce
Onde: Rua Léllis Piedade, nº 63, Ribeira
Funcionamento: 24 horas
Telefone: (71) 3202-7399
Canais nacionais
O Ligue 180 funciona gratuitamente durante 24 horas, todos os dias da semana. O serviço oferece orientações, informa onde procurar atendimento e recebe denúncias feitas pela própria mulher ou por terceiros.
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp: (61) 9610-0180.
Quando a violência estiver acontecendo ou houver risco imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.
Pedir orientação não obriga a mulher a tomar todas as decisões naquele momento. O primeiro passo pode ser apenas entender a situação, conhecer seus direitos e descobrir quais caminhos estão disponíveis.
Redação Coisas da Dina
Fotos: Bruno Concha e Otávio Santos/Secom PMS
Fontes: Secom Salvador e Ministério das Mulheres



