Carnaval em volume máximo: cuidados com a audição em meio à folia
- 13/02/2026
Trios elétricos, blocos de rua, festas fechadas e shows fazem do Carnaval uma das épocas mais intensas do ano também para os ouvidos. Em grandes cidades como Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, medições feitas por órgãos de saúde e universidades já apontaram picos sonoros que ultrapassam facilmente os 100 decibéis durante a folia, especialmente próximos a caixas de som e trios elétricos. Esse nível de exposição exige atenção, porque o impacto na audição pode ser imediato ou aparecer ao longo do tempo.
De acordo com especialistas em otorrinolaringologia, o limite considerado seguro para a audição gira em torno de 80 decibéis. Acima disso, o risco começa a aumentar de forma progressiva. Sons superiores a 85 decibéis, comparáveis ao barulho constante de um cortador de grama, já podem causar danos se a exposição ultrapassar duas horas seguidas. Em ambientes típicos do Carnaval, onde o volume chega a 105 ou 110 decibéis, o prejuízo pode acontecer em poucos minutos.
O problema não está restrito a adultos. Crianças e adolescentes também são vulneráveis, já que o sistema auditivo ainda está em desenvolvimento. Um dos primeiros sinais de alerta é simples: quando o som deixa de ser confortável e passa a incomodar, o limite seguro já foi ultrapassado. Mesmo que a dor não apareça na hora, o risco permanece.
Além da perda auditiva gradual, a exposição prolongada a volumes elevados pode desencadear zumbido crônico, aquela sensação de apito ou chiado persistente no ouvido, que pode continuar mesmo depois do fim da festa. Estudos recentes indicam que o zumbido já afeta cerca de 15% da população adulta no Brasil, e o número tende a crescer com hábitos frequentes de exposição a sons intensos.
Durante o Carnaval, alguns cuidados simples ajudam a reduzir os impactos. Aplicativos de medição de decibéis, disponíveis gratuitamente para celulares, permitem ter uma noção do nível de ruído ao redor. Em espaços abertos, os sons costumam variar entre 90 e 100 decibéis; em ambientes fechados, não é raro ultrapassar os 110. Outra orientação importante é evitar permanecer muito próximo às caixas de som, especialmente em locais fechados, onde o som reverbera com mais força.
Manter a hidratação também faz diferença. Beber água regularmente contribui para uma boa circulação sanguínea, o que favorece a saúde do ouvido interno. A alimentação entra no mesmo pacote: alimentos ricos em antioxidantes, como frutas, verduras e legumes, ajudam a combater os efeitos do estresse oxidativo provocado pelo excesso de ruído. Quando a exposição ao som alto for inevitável, uma estratégia simples é intercalar momentos de festa com pausas em ambientes mais silenciosos, dando tempo para o ouvido se recuperar.
No Carnaval, o som faz parte da experiência, mas ouvir com consciência é o que garante que a festa continue não só este ano, mas por muitos outros. Cuidar da audição hoje é preservar qualidade de vida para depois que os trios desligarem.
Foto: Ilustrativa



