Roxinha Lisboa leva mãos, memórias e cores do sertão à CAIXA Cultural Salvador
- 19/08/2026
Exposição gratuita reúne mais de 60 obras da artista alagoana e ganha nova curadoria dedicada ao trabalho feminino, à resistência e à transformação social
Antes de descobrir a pintura, as mãos de Roxinha Lisboa já conheciam o trabalho, o cuidado com a casa e o esforço necessário para construir a própria vida. Quando as cores chegaram, essas mesmas mãos passaram a transformar lembranças, afetos e cenas do sertão em arte.
Essa trajetória conduz “Mãos que Tecem o Futuro”, nova versão da exposição “Meu Brasil Interior”, que chega à CAIXA Cultural Salvador com curadoria e expografia criadas especialmente para a capital baiana.
O vernissage será realizado no dia 25 de agosto, às 19h. A exposição abre ao público no dia 26 e permanece em cartaz até 22 de novembro, na Unidade Carlos Gomes, no Centro de Salvador. A entrada é gratuita.
Com curadoria de Jinny Lim, a mostra reúne mais de 60 obras e propõe um novo olhar sobre a produção da artista popular alagoana. A paisagem sertaneja permanece presente, mas o trabalho, o feminino e a capacidade de transformação passam a ocupar o centro da narrativa.
Espaços como “O Ateliê da Resistência” e “Cartas para o Futuro” foram concebidos para esta edição. A proposta é aproximar o público não apenas das pinturas prontas, mas também dos processos, das experiências e das escolhas que formaram a trajetória de Roxinha.
Maria José Lisboa da Cruz nasceu em Lagoa de Pedra, no sertão de Alagoas, onde vive até hoje. Autodidata, trabalhou em diferentes atividades antes de se reconhecer como artista e começou a pintar já na maturidade, incentivada pela filha.
Ao lado do marido, Domingos Lisboa, encontrou na arte popular uma maneira de registrar casas coloridas, festas, encontros comunitários, memórias da infância e cenas do cotidiano nordestino.
“Minhas mãos sempre souberam fazer. Antes de pintar, elas já carregavam o mundo. Quando descobri a pintura, entendi que era a mesma coisa — só que agora com cor”, afirma a artista.
A frase resume o eixo da exposição em Salvador. As mãos aparecem como instrumentos de sobrevivência, criação, sustento e liberdade. A obra de Roxinha revela como a arte pode nascer longe dos circuitos tradicionais e transformar vivências consideradas comuns em patrimônio cultural.
Para a curadora Jinny Lim, a mostra celebra a força da mulher a partir da verdadeira essência de seu ofício. As obras são apresentadas em um ambiente intimista, no qual trabalho, memória e feminino se conectam como ferramentas de transformação social.
“Meu Brasil Interior” integra uma itinerância por sete capitais brasileiras. Antes de Salvador, a exposição passou por Recife, entre setembro e novembro de 2025, e Fortaleza, de março a maio de 2026. As duas etapas reuniram mais de 100 mil visitantes.
A edição baiana representa uma mudança dentro do projeto. É a primeira a apresentar a nova curadoria, a nova expografia e o recorte temático “Mãos que Tecem o Futuro”.
A exposição também oferece recursos de acessibilidade. As obras contam com audiodescrição disponível por QR Code, além de descrições em braille, abafadores de ruído e visitas mediadas com tradução em Libras.
A entrada franca e a longa temporada ampliam a possibilidade de acesso do público a uma produção que mostra o sertão a partir do olhar de uma mulher que começou a pintar mais tarde, mas carregava histórias nas mãos muito antes de segurar um pincel.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação
Fonte: CAIXA Cultural Salvador e Orb Cultural



