Casos de herpes-zóster crescem e afetam a saúde bucal
- 12/02/2026
Casos de herpes-zóster ocorrem em todo o mundo. Dados do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) indicam que, entre 2008 e 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações por herpes-zóster no Brasil, sendo computadas 1567 mortes pela doença no país.
O herpes-zoster é a reativação do vírus da catapora. O cirurgião-dentista, Dr. Yuri Kalinin, convidado do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), explica que a reativação do vírus costuma estar associada ao envelhecimento natural do sistema imunológico, ao estresse intenso ou prolongado, sendo comum também em pessoas imunossuprimidas, com doenças crônicas, câncer, HIV e que façam tratamentos com quimioterapia ou corticoides.
O cirurgião-dentista alerta que o herpes-zóster pode provocar lesões intra e extra bucais, principalmente quando acomete ramos do nervo trigêmeo, que é um dos 12 pares de nervos cranianos ligados ao cérebro e ao tronco cerebral.
As manifestações bucais podem incluir, ainda, vesículas e feridas dolorosas na pele da face, lesões unilaterais na boca, geralmente no lado do nervo afetado, podendo acometer lábios, língua, palato e mucosa jugal. Uma característica comum da doença é a dor intensa, que pode preceder o aparecimento das lesões. De acordo com o Dr. Yuri Kalinin, as lesões do herpes-zóster costumam ser mais dolorosas do que as da catapora e podem impactar significativamente a alimentação e a fala.
Riscos
“Os principais riscos do herpes na região bucal são dor intensa e prolongada, infecção secundária das lesões orais, dificuldade para se alimentar e manter a higiene bucal, neuralgia pós-herpética, que pode persistir por meses ou anos após a cicatrização das lesões. E, em casos mais graves, pode ocorrer o comprometimento funcional da face. Dessa forma, o diagnóstico e o tratamento precoce são fundamentais”, afirma o Dr. Yuri.
Papel da Odontologia
O cirurgião-dentista tem o papel essencial de reconhecer precocemente sinais e sintomas orais do herpes-zóster, diferenciar as lesões de outras condições bucais, encaminhar rapidamente para o início do tratamento antiviral, orientar medidas de cuidado oral para controle da dor e prevenção de infecções. Além disso,o profissional deve acompanhar a cicatrização e possíveis sequelas bucais. O especialista explica que a atuação integrada entre Odontologia e Medicina é essencial nesses casos.
Prevenção
“Existe vacina específica contra o herpes-zóster, indicada principalmente para adultos acima de 50 anos e pessoas com maior risco de reativação viral, conforme recomendações do Ministério da Saúde”, orienta o cirurgião-dentista.
A vacina reduz o risco de desenvolver herpes-zóster, a gravidade da doença e a ocorrência de neuralgia pós-herpética, ou seja, a dor crônica e severa que persiste na área afetada pela doença. Atualmente, no Brasil a vacina está disponível apenas na rede privada. Em 12 de janeiro de 2026, o Ministério da Saúde optou por não incorporar a vacina para a prevenção de herpes-zóster no SUS devido ao alto custo do imunizante.
Foto: Ilustrativa



