​Enoturismo responde por 34,7% do faturamento de vinícolas pesquisadas no Brasil

  • 16/08/2026

​Enoturismo responde por 34,7% do faturamento de vinícolas pesquisadas no Brasil

Levantamento inicial reúne dados de 51 vinícolas de seis estados que, juntas, recebem mais de 1,2 milhão de visitantes por ano e mantêm 834 profissionais ligados à atividade

O enoturismo já representa uma parcela significativa dos negócios de vinícolas brasileiras. Em uma primeira amostragem realizada pela Escola de Enoturismo, a atividade responde, em média, por 34,7% do faturamento das 51 empresas participantes.

Juntas, as vinícolas recebem aproximadamente 1,22 milhão de visitantes por ano e mantêm 834 colaboradores diretamente ligados às experiências turísticas. Os primeiros resultados foram apresentados na quinta-feira (13), durante o 1º Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, realizado em São Paulo.

A pesquisa reúne empreendimentos da Bahia, Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Por se tratar de uma amostragem inicial, os números ainda não representam todo o mercado brasileiro, mas ajudam a dimensionar a importância econômica que a atividade alcançou dentro das empresas participantes.

Participação na receita varia de 1% a 98%

A contribuição do enoturismo para o faturamento apresenta diferenças expressivas entre as vinícolas pesquisadas. Enquanto em alguns empreendimentos a atividade representa apenas 1% da receita, em outros chega a 98%.

Segundo o levantamento, o turismo do vinho tende a ter uma participação proporcionalmente maior no faturamento das vinícolas de pequeno porte. Entre empresas médias e grandes, porém, a atividade também começa a ser tratada como uma unidade de negócio, e não somente como estratégia de divulgação, relacionamento com clientes ou fortalecimento da marca.

Esse movimento acompanha a ampliação das experiências oferecidas aos visitantes. Além das tradicionais visitas guiadas e degustações, as vinícolas passaram a investir em restaurantes, hospedagens, eventos, atividades culturais, experiências nos vinhedos e roteiros personalizados.

Falta de qualificação limita expansão

O avanço do enoturismo também expõe uma dificuldade: encontrar profissionais preparados para atender às novas necessidades do mercado.

As vinícolas relataram problemas para contratar atendentes especializados, inclusive trabalhadores extras para finais de semana e períodos de maior movimento. Também existe demanda por pessoas com domínio de inglês e espanhol, profissionais de liderança e gestão, equipes para restaurantes e gastronomia, além de trabalhadores para limpeza e higiene.

Os dados indicam que o desafio não está apenas na disponibilidade de mão de obra, mas principalmente na falta de profissionais qualificados para atuar em um segmento que combina turismo, hospitalidade, comunicação, gastronomia, cultura e conhecimento sobre vinhos.

Pesquisa será ampliada

O levantamento foi estruturado a partir de quatro questões: quantas pessoas trabalham diretamente com enoturismo, quantos visitantes são recebidos, quanto a atividade representa no faturamento e quais profissionais as empresas têm dificuldade de encontrar.

A pesquisa permanece aberta para novas participantes. A proposta da Escola de Enoturismo é ampliar gradualmente a base de vinícolas e transformar o diagnóstico em uma ferramenta permanente de acompanhamento do setor.

A ausência de indicadores nacionais consolidados sobre empregos, visitantes, receitas e competências profissionais foi uma das razões para a realização do estudo.

Formação acompanha novas demandas

Criada em maio deste ano, a Escola de Enoturismo trabalha com três pilares: Território e Origem, Comunicação e Experiência, e Negócio.

A iniciativa é conduzida por Ivane Remus Fávero, mestre em Enoturismo; pela jornalista Lucinara Masiero; e pelo especialista em Enoturismo Artur Tremper Farias.

A primeira turma presencial do Nível 1 concluiu recentemente sua formação no Auditório Sicredi Agro, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Nesta segunda-feira (17), a escola inicia sua primeira turma on-line, ampliando o acesso à qualificação para profissionais de diferentes regiões do país.

Para os responsáveis pelo projeto, os resultados mostram que a formação profissional precisa avançar na mesma velocidade das experiências oferecidas pelas vinícolas. Com mais de um terço do faturamento médio das empresas pesquisadas vindo do enoturismo, preparar equipes deixou de ser uma questão complementar e passou a ser uma necessidade estratégica.

Participaram da primeira amostragem: Adega Chesini, Almadén, Amana, Bonventi, Cainelli, Casa Perini, Chandon, Cooperativa Aurora, Cooperativa Garibaldi, Cordilheira de Sant’Ana, Courmayeur, Cristofoli, Dal Pizzol, Don Giovanni, Face Norte, Floresta de São Pedro, Foppa & Ambrosi, Franco Italiano, Fritzen, Garbo, Gaudio, Geisse, Góes, Guatambu, Guaspari, Hermann, Larentis, Lemos de Almeida, Leone Di Venezia, L’Origene, Madre Terra, Mena Kaho, Merum, Miolo, Monte Agudo, Monte Chiaro, Paraizo, Peterlongo, Salton, Seival, Serra do Sol, Somacal, Terranova, Terra Nossa, Torcello, Valmarino, Viapiana, Vinha Duarte, Villa Triacca, Vinícola Campestre e Vivalti.

Texto: Redação Coisas da Dina

Foto: Carol Pandolfo

Fonte: Escola de Enoturismo


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