Terremotos recentes foram sentidos no Acre e em Belém; entenda os riscos ambientais

  • 16/08/2026

Terremotos recentes foram sentidos no Acre e em Belém; entenda os riscos ambientais

Abalos originados no Peru e na Venezuela chegaram de forma leve ao território brasileiro, sem registro de vítimas ou danos, mas mostram que o país não está totalmente livre de atividades sísmicas

Os fortes terremotos que atingiram a Colômbia e a Indonésia nos últimos dias voltaram a chamar a atenção para a atividade sísmica no planeta. Os dois eventos provocaram mortes, destruição e desabrigados, além de deslizamentos e danos à infraestrutura das regiões atingidas.

Na Colômbia, o terremoto de magnitude 7,4 ocorreu no dia 10 de agosto. Na Indonésia, um abalo de magnitude 7,7 atingiu a região de Flores no sábado (15). Os eventos aconteceram em sistemas tectônicos diferentes e não há evidência de ligação entre eles.

Até este domingo (16), também não havia confirmação oficial de que esses dois terremotos de agosto tenham sido sentidos no Brasil. Isso não significa, porém, que o país tenha passado sem reflexos de outros abalos recentes.

No dia 24 de junho, dois fortes terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, as ondas sísmicas foram percebidas em Belém, Manaus, Boa Vista, Macapá e outros municípios da Região Norte.

Em algumas cidades, moradores deixaram edifícios preventivamente. Apesar do susto e do balanço sentido principalmente nos andares mais altos, não houve registro de vítimas ou danos estruturais no território brasileiro.

O Acre também sentiu tremores originados no Peru. Em 30 de junho, moradores de Cruzeiro do Sul relataram que portas, janelas e móveis balançaram após um terremoto de magnitude próxima de 5 atingir a região peruana de Ucayali.

Um mês depois, em 30 de julho, outro terremoto no Peru, de magnitude 5,6 segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, foi percebido por moradores de Tarauacá e Marechal Thaumaturgo. Os relatos descrevem um balanço rápido dentro das casas, sem registro de feridos ou prejuízos materiais.

O Pará também registrou atividade sísmica própria. Em 11 de junho, a Rede Sismográfica Brasileira identificou três pequenos tremores na região de Tucuruí. O maior teve magnitude 3,5 e foi percebido por moradores, mas não provocou danos estruturais significativos.

O Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, distante das áreas de maior contato entre placas tectônicas. Por isso, apresenta risco sísmico menor do que países como Chile, Peru, Colômbia, Japão e Indonésia. Menor risco, contudo, não significa ausência de terremotos.

Além dos tremores que nascem em falhas geológicas dentro do próprio território, o país pode sentir ondas produzidas por grandes terremotos em nações vizinhas. Estados da Região Norte, especialmente os mais próximos da Cordilheira dos Andes, estão entre os que mais percebem esses reflexos.

Para o meio ambiente, os efeitos de um terremoto forte podem permanecer muito depois de o chão parar de tremer. Os abalos podem desestabilizar encostas, provocar deslizamentos, bloquear rios, aumentar a erosão e fazer solos encharcados perderem resistência.

Rompimentos de redes de água, esgoto, combustível ou produtos químicos também podem contaminar rios e aquíferos. Quando o terremoto acontece no fundo do mar e desloca uma grande quantidade de água, existe ainda o risco de tsunami, com erosão costeira, salinização do solo e destruição de manguezais, praias e outros ecossistemas.

Nos episódios sentidos recentemente no Brasil, não foram identificados danos ambientais. O impacto foi leve e ficou restrito à percepção do movimento em edifícios, casas e objetos.

Também não há evidência de que os terremotos recentes tenham sido provocados pelas mudanças climáticas. A maioria desses eventos resulta do movimento das placas tectônicas e da ruptura de falhas no interior da Terra. Chuvas intensas podem, entretanto, agravar consequências posteriores, como deslizamentos em encostas que já ficaram fragilizadas.

A ocorrência de vários terremotos em um intervalo curto também não prova que o planeta esteja entrando em uma fase de atividade sísmica anormal. Para os especialistas, concentrações temporárias fazem parte da variação natural e se tornam mais visíveis com o avanço dos sistemas de monitoramento e a circulação imediata de informações.

Os acontecimentos recentes deixam um alerta sem necessidade de alarmismo: o Brasil não está diante da mesma ameaça sísmica dos países situados nos limites das placas, mas também não é uma terra completamente livre de tremores. Monitoramento, planejamento urbano e informação continuam sendo as principais ferramentas de prevenção.

Texto: Redação Coisas da Dina


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