Inteligência artificial pode acrescentar quase R$ 1 trilhão à economia brasileira até 2030

  • 14/08/2026

Inteligência artificial pode acrescentar quase R$ 1 trilhão à economia brasileira até 2030

Estudo estima ganhos de produtividade no trabalho e na indústria, mas não calcula possíveis perdas de empregos e depende de investimentos para se concretizar

A inteligência artificial pode acrescentar R$ 986,7 bilhões à economia brasileira entre 2027 e 2030, segundo estudo elaborado pelo Centro de Estratégia e Regulação, o Reglab.

O valor representa a soma dos ganhos de produção projetados para os quatro anos e equivale a 7,6% do Produto Interno Bruto estimado para 2026. No cenário apresentado, a adoção da tecnologia poderia elevar o PIB em 2,77% até 2030, com acréscimo médio de 0,69 ponto percentual por ano.

A estimativa não representa dinheiro já garantido nem uma previsão automática de crescimento. O resultado depende da velocidade com que empresas, trabalhadores e poder público conseguirem incorporar a tecnologia à atividade econômica.

Produtividade responde pela maior parte do impacto

Segundo o levantamento, 65% do ganho projetado viria do aumento da produtividade dos trabalhadores. Ferramentas de inteligência artificial seriam utilizadas para automatizar rotinas, analisar documentos, organizar informações e acelerar algumas tomadas de decisão.

Os outros 35% estariam ligados à incorporação da tecnologia em máquinas, equipamentos, sensores, sistemas de produção e outros ativos.

A indústria de transformação aparece como o setor com maior potencial de crescimento, com impacto estimado em R$ 264,2 bilhões. Em seguida estão as atividades de serviços, com R$ 165,4 bilhões, e o comércio, com R$ 131,2 bilhões.

No setor financeiro, a maior parte do ganho seria obtida pelo uso de sistemas de IA na análise de riscos, documentos e informações. Na agropecuária, o impacto estaria mais relacionado ao emprego de drones, sensores, colheitadeiras inteligentes e equipamentos de pulverização.

Estudo foi financiado pela OpenAI

O levantamento foi financiado pela OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT e diretamente interessada na expansão do uso da inteligência artificial. A informação é relevante para que os resultados sejam analisados com transparência.

A metodologia foi adaptada de um estudo do economista Daron Acemoglu sobre os efeitos da IA na economia dos Estados Unidos. Como o Brasil não possui uma base detalhada sobre as tarefas realizadas em cada profissão, os pesquisadores relacionaram informações do mercado norte-americano às ocupações registradas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE.

Essa adaptação permite construir uma estimativa, mas também cria limitações. Uma mesma profissão pode envolver tarefas, condições de trabalho e níveis de tecnologia diferentes no Brasil e nos Estados Unidos.

Impacto sobre os empregos ficou fora da conta

O estudo não estimou quantos postos de trabalho podem ser eliminados, transformados ou criados com a adoção da inteligência artificial. O cálculo analisou o impacto da tecnologia sobre tarefas e produtividade, e não a substituição de profissões.

Esse é um dos principais pontos de atenção. Produzir mais com os mesmos recursos pode gerar crescimento econômico, mas os benefícios não são distribuídos automaticamente. Sem capacitação profissional e políticas de transição, parte dos trabalhadores pode perder espaço antes de conseguir se adaptar às novas funções.

Também não há consenso entre os estudos já publicados. As projeções sobre o efeito da IA no PIB brasileiro apresentam diferenças relevantes porque utilizam metodologias, prazos e hipóteses distintas.

Potencial depende de infraestrutura

Para que os ganhos projetados se aproximem da realidade, o Brasil precisará enfrentar obstáculos conhecidos: internet insuficiente em várias regiões, crédito caro, baixa qualificação tecnológica e dificuldade de pequenas empresas para financiar inovação.

A expansão da inteligência artificial também exige formação profissional, regras claras, proteção de dados e condições para que a tecnologia não fique concentrada apenas em grandes empresas.

O número de quase R$ 1 trilhão chama atenção, mas a questão central é outra: quem terá acesso aos ganhos de produtividade e como o país protegerá os profissionais afetados pela transformação. Sem resposta para essas duas perguntas, o avanço tecnológico pode aumentar a produção e, ao mesmo tempo, aprofundar desigualdades.

Texto: Redação Coisas da Dina

Foto: Divulgação

Fontes: UOL Economia e Folha de S.Paulo


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