A voz é conhecida. A indicação é falsa: IA já é usada para vender medicamentos clandestinos
- 03/08/2026
Vídeos produzidos com inteligência artificial reproduzem rostos e vozes para anunciar remédios e suplementos. O golpe explora a confiança do público e pode colocar a saúde em risco.
Uma pessoa conhecida aparece na tela recomendando um produto para emagrecer, aliviar dores ou controlar uma doença. O rosto parece verdadeiro, a voz convence e a promessa é simples.
Mas aquela pessoa pode nunca ter gravado o vídeo.
Criminosos estão usando inteligência artificial para reproduzir imagens e vozes e transformá-las em anúncios de medicamentos, suplementos e produtos de saúde. A prática, conhecida como deepfake, motivou um alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.
O objetivo é apropriar-se da credibilidade de alguém para diminuir a desconfiança de quem assiste. O golpe ficou sofisticado: consegue reproduzir expressões, movimentos faciais e formas de falar com alto grau de realismo.
A voz é conhecida. A confiança também. A indicação é que pode ser inteiramente falsa.
Quando a confiança vira mercadoria
Os vídeos costumam oferecer emagrecimento rápido, controle da glicose, melhora da memória ou alívio imediato de dores.
Por trás dessas promessas podem estar produtos clandestinos, fabricados sem autorização, ou falsificados, que imitam medicamentos existentes.
Também existem anúncios com falsos médicos criados por inteligência artificial. A orientação é conferir o nome, o CRM e, quando houver especialidade, o Registro de Qualificação de Especialista, o RQE.
Mesmo uma recomendação verdadeira não substitui a avaliação individual. Um medicamento adequado para uma pessoa pode ser perigoso para outra por causa de doenças preexistentes, dosagem ou interação com outros remédios.
Influência digital não é prescrição médica.
Como se proteger
Antes de comprar:
- Procure a declaração no perfil oficial da pessoa apresentada.
- Verifique o registro do profissional de saúde.
- Confira se o produto está regularizado pela Anvisa.
- Desconfie de promessas de cura, resultado imediato ou solução “100% natural e sem riscos”.
- Compre medicamentos somente em farmácias regularizadas ou em seus sites oficiais.
- Não compartilhe o vídeo antes de confirmar sua autenticidade.
Suplementos alimentares também não podem ser anunciados como tratamento ou cura de doenças.
A circulação desses vídeos ultrapassa o debate sobre tecnologia. Em um golpe comum, a vítima pode perder dinheiro. Quando a fraude envolve medicamentos, ela também pode agravar uma doença, atrasar um tratamento ou provocar o consumo de substâncias de origem desconhecida.
A inteligência artificial pode fabricar um rosto, reproduzir uma voz e simular autoridade. O que ela não oferece é garantia de segurança.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Internet
Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa


