​Agosto Lilás: quando o silêncio também é um sinal de violência

  • 02/08/2026

​Agosto Lilás: quando o silêncio também é um sinal de violência

Especialistas alertam que relações abusivas nem sempre começam com agressões. Em muitos casos, o primeiro sinal é quando a mulher deixa de ser ela mesma para evitar conflitos.

Nem toda violência deixa marcas visíveis. Em muitos relacionamentos abusivos, ela começa de forma silenciosa, por meio de críticas constantes, controle, chantagens emocionais e da sensação de que é preciso medir cada palavra para evitar uma discussão.

Esse comportamento tem um nome: autossilenciamento. É quando a pessoa passa a esconder opiniões, desejos, sentimentos e até a modificar sua maneira de agir por medo da reação do parceiro. Aos poucos, deixa de tomar decisões livremente, evita conflitos a qualquer custo e passa a viver em constante estado de alerta.

No Agosto Lilás, campanha nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, especialistas chamam atenção para esse tipo de comportamento, que muitas vezes antecede formas mais graves de violência psicológica, moral e até física.

A psicóloga Danielle Vieira explica que o processo costuma acontecer de maneira gradual. A mulher começa a evitar determinados assuntos, deixa de encontrar amigos ou familiares, muda a forma de se vestir ou de se expressar e, sem perceber, vai perdendo parte da própria identidade.

Em relações saudáveis, diferenças fazem parte da convivência. Discordar, negociar e até enfrentar momentos de frustração são situações naturais. O problema surge quando apenas uma pessoa precisa abrir mão de quem é para manter a relação funcionando.

Outro sinal frequente é a sensação de estar sempre “pisando em ovos”. O medo de provocar uma crise faz com que a mulher passe a antecipar comportamentos, controlar o que diz e até duvidar da própria percepção dos fatos. Com o tempo, esse desgaste emocional compromete a autoestima, a autonomia e a confiança em si mesma.

Especialistas ressaltam que o controle nem sempre aparece de forma explícita. Em muitos casos, manifesta-se por meio de ironias, cobranças excessivas, mudanças bruscas de humor, silêncios usados como punição ou tentativas constantes de isolar a parceira de pessoas próximas.

Reconhecer esses sinais precocemente pode impedir que a violência avance. Buscar apoio de familiares, amigos, profissionais de saúde ou da rede de proteção à mulher é um passo importante para romper ciclos de abuso e reconstruir a autonomia.

Mais do que lembrar a importância da denúncia, o Agosto Lilás também convida à reflexão sobre relações baseadas no respeito, na liberdade e no reconhecimento da individualidade de cada pessoa. Afinal, amar não deveria significar abrir mão da própria voz.

Onde buscar ajuda

Mulheres em situação de violência podem procurar a rede de proteção do município onde vivem ou entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, que funciona gratuitamente em todo o país.

Texto: Redação Coisas da Dina

Foto: Divulgação

Fonte: Artigo da psicóloga Danielle Vieira e campanha Agosto Lilás.


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