O vape de hoje pode se transformar no câncer de amanhã, alertam especialistas
- 02/08/2026
Popular entre adolescentes e jovens, o cigarro eletrônico já apresenta sinais de danos às células da boca e preocupa médicos pelo risco de doenças que podem surgir anos depois.
Colorido, aromatizado e vendido como uma alternativa “menos prejudicial”, o cigarro eletrônico conquistou espaço principalmente entre adolescentes e jovens adultos. Mas a ciência começa a mostrar que a aparência moderna pode esconder consequências que ainda levarão anos para aparecer.
Pesquisas recentes apontam que o vapor liberado pelos dispositivos eletrônicos provoca inflamação, reduz as defesas naturais da boca e pode causar alterações no DNA das células da mucosa oral. Embora ainda não exista um aumento expressivo de casos de câncer de boca relacionado ao vape, especialistas alertam que o tempo de exposição dos usuários mais jovens pode favorecer o surgimento da doença no futuro.
O motivo é simples: o câncer não costuma aparecer de um dia para o outro. Em muitos casos, ele se desenvolve lentamente ao longo de anos, depois de uma exposição contínua a agentes que provocam lesões nas células.
O cenário preocupa porque o consumo do cigarro eletrônico cresce justamente entre quem começou a vida adulta agora. Dados do Ministério da Saúde mostram que o uso do vape atingiu o maior índice desde o início do monitoramento. Entre jovens de 18 a 24 anos, um em cada dez já utiliza o dispositivo, enquanto quase um quarto afirma já ter experimentado.
Mesmo proibido no Brasil, o cigarro eletrônico continua sendo vendido de forma irregular e ganhou força nas redes sociais, impulsionado por embalagens coloridas, sabores doces e pela falsa ideia de que seria menos nocivo do que o cigarro tradicional.
Especialistas lembram que, além da nicotina, muitos dispositivos contêm substâncias que, quando aquecidas, podem liberar compostos tóxicos e metais pesados, aumentando o potencial de danos ao organismo.
Quando procurar um médico
Independentemente da causa, alguns sinais merecem atenção e não devem ser ignorados:
- Feridas na boca que não cicatrizam por mais de duas semanas;
- Rouquidão persistente;
- Dor para engolir;
- Caroços no pescoço;
- Sangramentos sem causa aparente.
Quanto mais cedo uma alteração é identificada, maiores são as chances de tratamento e cura.
Mais do que combater um produto, médicos defendem que a principal estratégia continua sendo a informação. Entender os riscos antes que eles apareçam é a forma mais eficaz de evitar que uma escolha feita na adolescência tenha consequências para toda a vida.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação
Fonte: Instituto Nacional de Câncer (Inca), Ministério da Saúde, Anvisa e Hospital São Marcelino Champagnat.


