Autorizações para importar cannabis medicinal superam 18 mil em maio
- 28/07/2026
Dados mostram que a procura se mantém estável em 2026, enquanto o paÃs atualiza as regras para produtos e produção de cannabis medicinal
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou 18.339 importações de produtos derivados de cannabis medicinal em maio de 2026. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela Cannect, com informações obtidas junto ao governo federal por meio da Lei de Acesso à Informação.
O número ficou próximo dos registros de janeiro, quando foram concedidas 18.998 autorizações; fevereiro, com 18.965; e abril, com 18.616. Março apresentou um movimento diferente e chegou a 23.199 autorizações.
A regularidade indica que a importação continua sendo um caminho utilizado por pacientes brasileiros. Para parte deles, a cannabis medicinal já faz parte de tratamentos prolongados, principalmente em casos de doenças crônicas e condições que exigem acompanhamento contÃnuo.
Na avaliação de Allan Paiotti, CEO da Cannect, a manutenção dos pedidos está relacionada à continuidade dos tratamentos. Ele também defende que o acompanhamento médico e o suporte de equipes multidisciplinares podem ajudar a evitar o abandono.
Os números, entretanto, precisam ser interpretados com cuidado. A quantidade de autorizações mostra a procura, mas não comprova a eficácia dos produtos nem informa quantos pacientes permaneceram em tratamento.
A própria Anvisa esclarece que os produtos adquiridos por meio da importação excepcional não possuem registro sanitário no Brasil. Por isso, sua eficácia, qualidade e segurança não foram avaliadas pela agência. A compra exige prescrição de profissional habilitado e a autorização tem validade de dois anos.
O setor também passa por mudanças. A RDC 1.015/2026 entrou em vigor em maio e atualizou as regras para fabricação e importação dos produtos de cannabis destinados à venda em farmácias.
Outras normas publicadas pela Anvisa tratam da pesquisa, da produção nacional e da atuação de associações de pacientes. Essas regras começam a valer em agosto e estabelecem exigências de controle, segurança, qualidade e rastreabilidade.
O crescimento das autorizações amplia o espaço da cannabis medicinal no paÃs, mas também aumenta a responsabilidade de médicos, empresas e órgãos de fiscalização. O debate precisa incluir acompanhamento adequado, informação clara, qualidade dos produtos e evidências cientÃficas para cada indicação.
Existe ainda uma questão que não pode ser ignorada: o acesso. Grande parte dos pacientes depende de prescrição, autorização e recursos próprios para importar os produtos. Um mercado em expansão não significa, necessariamente, um tratamento acessÃvel para todos.
Texto: Redação Coisas da Dina.
Foto: Divulgação.
Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e levantamento da Cannect com dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.


