HPV também está associado ao câncer de cabeça e pescoço; vacinação ajuda a prevenir
- 28/07/2026
Vírus pode ser transmitido durante o sexo oral e está relacionado a tumores da boca e da orofaringe
Durante muitos anos, o câncer de cabeça e pescoço foi associado principalmente ao cigarro e ao consumo frequente de bebidas alcoólicas. Esses fatores continuam importantes, mas o perfil de parte dos pacientes vem mudando.
O Papilomavírus Humano, conhecido como HPV, também está relacionado a tumores da orofaringe, região que inclui as amígdalas e a base da língua. O vírus pode ser transmitido pelo contato íntimo, inclusive durante o sexo oral.
Isso não significa que o sexo oral provoque câncer. O que pode acontecer é a transmissão do HPV durante o contato. Na maioria das pessoas, o organismo elimina a infecção naturalmente. Em alguns casos, porém, o vírus permanece no corpo e pode provocar alterações celulares ao longo dos anos.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Brasil deverá registrar aproximadamente 17,2 mil novos casos de câncer da cavidade oral por ano entre 2026 e 2028. A estimativa é de 12,3 mil diagnósticos entre homens e 4,9 mil entre mulheres.
Esses números reúnem diferentes tipos de tumores e não mostram quantos casos estão diretamente relacionados ao HPV. O tabagismo e o consumo excessivo de álcool continuam entre os principais fatores de risco.
A oncologista Débora Curi, integrante do Núcleo de Excelência em Câncer de Cabeça e Pescoço do Grupo SOnHe, explica que os médicos já atendem pacientes com tumores associados ao HPV que nunca fumaram. Para ela, a mudança exige que a população conheça outros fatores de risco e as formas disponíveis de prevenção.
O oncologista David Pinheiro Cunha, que também integra o núcleo, reforça que a informação precisa ser transmitida sem preconceito. O contato sexual pode ter ocorrido muitos anos antes do diagnóstico, já que a infecção geralmente não apresenta sintomas.
Vacinação protege meninos e meninas
A vacina contra o HPV é uma das principais formas de prevenção. Embora seja conhecida principalmente pela proteção contra o câncer do colo do útero, ela também ajuda a prevenir tumores relacionados ao vírus na boca, na orofaringe, no ânus, no pênis, na vulva e na vagina.
No SUS, a vacinação de rotina é oferecida em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Em 2026, adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não foram vacinados também podem receber a dose gratuitamente até 31 de dezembro.
Pessoas imunossuprimidas, vítimas de violência sexual e outros grupos específicos seguem esquemas diferentes de vacinação. A orientação deve ser confirmada em uma unidade de saúde.
A vacina não trata uma infecção já existente, mas protege contra os tipos de HPV incluídos no imunizante e reduz o risco de novas infecções. Por isso, a recomendação é vacinar antes do início da vida sexual, sem excluir quem já teve contato íntimo e ainda está dentro dos grupos atendidos.
Sinais que precisam de avaliação
Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão, dor ou dificuldade para engolir, caroço no pescoço, dor de garganta contínua, sangramento e sensação de algo preso na garganta devem ser avaliados por um profissional de saúde quando persistirem por mais de duas semanas.
A presença de um desses sinais não significa necessariamente câncer. A avaliação médica é importante porque o diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de tratamento.
Texto: Redação Coisas da Dina.
Foto: Divulgação.
Fonte: Instituto Nacional de Câncer (INCA), Ministério da Saúde e Grupo SOnHe.


