​Mulheres ganham protagonismo entre os cafés especiais premiados no Brasil

  • 26/07/2026

​Mulheres ganham protagonismo entre os cafés especiais premiados no Brasil

Três produtoras brasileiras estão entre os grandes destaques da edição 2025 do concurso Florada Premiada, iniciativa da Rituais Cafés Especiais, marca do Grupo 3corações, voltada à valorização das mulheres na cafeicultura.

Amanda Evaristo Lacerda, Ângela Maria da Costa Oliveira e Ângela Maria Coutinho Pessoa conquistaram as maiores pontuações da edição com cafés produzidos em Minas Gerais e Rondônia. Os lotes vencedores foram lançados recentemente e passaram a ser comercializados pelo Mercafé, e-commerce do Grupo 3corações, e também em pontos selecionados da rede Mambo, em São Paulo.

Mais do que os resultados técnicos, as histórias das três produtoras mostram como o trabalho feminino segue ganhando espaço em uma atividade onde, por muito tempo, muitas mulheres permaneceram longe dos holofotes.

A maior nota da história do concurso ficou com Amanda Evaristo Lacerda, de 25 anos, produtora do Caparaó Mineiro. Em sua primeira participação, alcançou 94,33 pontos.
Amanda é a quarta geração da família na cafeicultura e a terceira a trabalhar com cafés especiais. Cresceu acompanhando a mãe na lavoura e decidiu aprofundar o conhecimento técnico ao cursar Tecnologia em Cafeicultura no Instituto Federal de Alegre.

Ela conta que um dos principais desafios ainda é o preconceito. “Quando você chega em alguns lugares e está todo mundo conversando sobre café, você começa a querer conversar também, mas sente que as pessoas estão te menosprezando, dando a entender que você não sabe nada, por ser mulher”, afirma.

Para Amanda, iniciativas como o Florada ajudam a dar visibilidade a um trabalho que já existe há muito tempo. “A gente não tem a visibilidade que merece no campo. Trabalha tanto quanto os homens. Na maioria das propriedades, quem faz o pós-colheita são as mulheres, e a gente sabe que essa é a etapa decisiva para um café especial.”

A vitória chegou poucos dias antes do nascimento de seu primeiro filho. O prêmio foi reinvestido na própria propriedade, com melhorias no terreiro, na estufa e no secador.

Persistência nas Matas de Minas

A trajetória de Ângela Maria da Costa Oliveira, das Matas de Minas, foi construída passo a passo.Ela participou do concurso pela primeira vez em 2023 e terminou em sexto lugar. Em 2024 ficou entre as 100 melhores e, em 2025, conquistou o primeiro lugar em sua categoria, com 91,43 pontos.

Aos 38 anos, trabalha em uma produção familiar ao lado do marido e dos cunhados e divide a rotina entre as tarefas de casa, a lavoura, a colheita e o cuidado com o terreiro. “Geralmente as mulheres ficam só nos bastidores. Quando surgiu o concurso com as mulheres à frente, foi aquele sonho: um dia a gente vai ganhar também, ser valorizada, ser reconhecida”, conta.

A experiência também transformou a forma como ela enxerga o próprio produto. “A gente via o café só pelo valor do dinheiro. Agora vê pelo sabor, pelo jeito das pessoas tomarem o seu café. É diferente.”

De funcionária pública a produtora de café especial

Em Rondônia, Ângela Maria Coutinho Pessoa fez uma mudança completa de vida. Em 2018, ela era funcionária pública quando decidiu, ao lado do marido, investir em um pedaço de terra herdado pelo pai. O casal começou com 2.400 pés de café.

A primeira colheita aconteceu em 2020 e ainda seguia o modelo convencional. A partir daí, Ângela começou a buscar informações, conversar com especialistas e conhecer técnicas de produção de cafés especiais.

Em 2022, ficou em quinto lugar no Florada. Em 2025, chegou ao topo com 90,80 pontos. “Eu queria ser produtora de café especial. Acho que agora eu sou”, lembra.

Para ela, o café trouxe uma sensação de propósito que faltava em sua rotina profissional.

“Hoje me sinto realizada. O café é incrível porque você pode estar sempre se aperfeiçoando, descobrindo possibilidades que nem imaginava que existiam.”

Um setor onde as mulheres sempre estiveram

As três trajetórias são diferentes, mas carregam um ponto em comum: mostram que o trabalho feminino na cafeicultura não começou agora. Mulheres participam há décadas da colheita, do pós-colheita, da seleção dos grãos, da gestão das propriedades e da transmissão de conhecimento entre gerações. O que muda, aos poucos, é a visibilidade.

Criado em 2018, o Florada Premiada recebe inscrições de produtoras de diferentes regiões do país e seleciona os cafés por critérios técnicos de qualidade.

Os lotes escolhidos são comercializados pela linha Florada e parte do retorno financeiro volta diretamente para as produtoras. O projeto também mantém o Florada Educa, realizado em parceria com a Rehagro, com mais de 80 videoaulas gratuitas sobre colheita, pós-colheita, gestão financeira e sucessão familiar.

Desde a criação, mais de R$ 1 milhão foi destinado diretamente às cafeicultoras. Em 2026, o projeto chega à nona edição, acumulando mais de 7 mil inscrições e mais de 330 toneladas de microlotes comercializados. Os números ajudam a mostrar uma transformação que já acontece no campo: o café especial brasileiro também tem nome, conhecimento e liderança de mulher.

Fonte: Rituais Cafés Especiais / Grupo 3corações.

Texto: Redação Coisas da Dina.

Foto: Divulgação.


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Anunciantes