Ciência das emoções propõe novo olhar sobre o amor e os relacionamentos

  • 24/07/2026

Ciência das emoções propõe novo olhar sobre o amor e os relacionamentos

O amor costuma ser associado a permanência, exclusividade e sentimento incondicional. Pesquisas na área das emoções positivas, porém, apresentam uma visão diferente: o amor também pode ser entendido como uma experiência construída em pequenos momentos de conexão, que se repetem ao longo da vida e ajudam a fortalecer os vínculos.

Essa abordagem é apresentada pela psicóloga e pesquisadora Barbara Fredrickson, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, no livro Amor 2.0 – A ciência a favor dos relacionamentos. A obra é utilizada pela psicóloga e escritora Deborah Dubner para discutir como compreender melhor essa emoção pode transformar a maneira como nos relacionamos.

Segundo essa perspectiva, o amor não precisa estar restrito aos relacionamentos românticos. Ele pode surgir na relação entre pais e filhos, amigos, familiares e até em pequenos encontros cotidianos com outras pessoas.

A ideia central está nos chamados micromomentos de conexão, experiências breves de proximidade, segurança, atenção e bem-estar compartilhado.

Amor não precisa ser permanente para ser importante

Outro ponto abordado é a diferença entre um vínculo duradouro e a emoção sentida a cada instante.

Uma relação pode atravessar décadas, mas isso não significa que a sensação de amor permaneça continuamente presente durante todo esse período. Como outras emoções, ela aparece, diminui e pode voltar a acontecer.

A repetição desses momentos de conexão ajuda a construir intimidade, confiança e proximidade.

Para Deborah Dubner, compreender essa característica pode aliviar uma expectativa comum nos relacionamentos: a ideia de que amar alguém significa sentir permanentemente a mesma intensidade emocional.

O amor, nesse entendimento, pode ser renovado diariamente.

Segurança influencia os vínculos

A qualidade do ambiente também interfere na experiência emocional.

Situações de medo, hostilidade, conflito intenso ou sensação de ameaça dificultam a conexão entre as pessoas. Por isso, segurança, atenção e disponibilidade emocional aparecem como condições importantes para que esses momentos de proximidade aconteçam.

Isso não significa que relações afetivas estejam livres de conflitos. Significa reconhecer que a construção dos vínculos depende também da forma como as pessoas se tratam e do espaço emocional criado dentro da relação.

Pequenas conexões também contam

Para Deborah, uma das consequências práticas dessa visão é perceber que o amor não precisa estar restrito aos grandes acontecimentos.

Uma conversa atenta, um gesto de cuidado, um momento de escuta ou uma troca genuína podem produzir experiências de conexão capazes de fortalecer relações.

Ao substituir a ideia de um sentimento permanente por uma construção cotidiana, essa abordagem também amplia a responsabilidade de cada pessoa pela qualidade dos vínculos que mantém.

Deborah Dubner é psicóloga, escritora e autora de sete livros voltados a temas como autoconsciência, desenvolvimento pessoal e Psicologia. Também é palestrante TEDx.

Fonte: Texto de Deborah Dubner e livro Amor 2.0 – A ciência a favor dos relacionamentos, de Barbara Fredrickson.

Texto: Redação Coisas da Dina.

Foto: Divulgação.


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