​Redes sociais ampliam ansiedade e sensação de atraso entre jovens brasileiros

  • 23/07/2026

​Redes sociais ampliam ansiedade e sensação de atraso entre jovens brasileiros

A comparação constante nas redes sociais, a pressão para alcançar sucesso rapidamente e o medo de não corresponder às expectativas estão entre os fatores que ajudam a explicar o sofrimento emocional de muitos adolescentes brasileiros.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE, mostram que 28,9% dos estudantes entre 13 e 17 anos disseram sentir tristeza na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa. Quase metade, 49,7%, relatou preocupação frequente com situações comuns do dia a dia. Outro dado chama atenção: 18,5% disseram ter sentido, na maioria das vezes ou sempre, que a vida não valia a pena ser vivida.

Esse cenário ajuda a entender uma angústia cada vez mais comum entre jovens das gerações Z e Alpha: a sensação de estar ficando para trás enquanto todos os outros parecem viver melhor, crescer mais rápido e alcançar uma felicidade aparentemente perfeita.

É justamente esse sentimento que aparece no livro “Você vai passar por aqui”, da escritora Anna Padilha Moura, publicado pela Editora Mundo Cristão.

Na história, Zoe Castilho sonha em ser escritora, mas mantém seu manuscrito escondido por medo de não ser boa o suficiente. Ao mesmo tempo, acompanha nas redes sociais colegas que parecem ter vidas perfeitas e começam a despertar nela a sensação de que está atrasada em relação aos outros.

A trama ganha elementos de fantasia quando Zoe recebe um caderno capaz de transformar palavras em realidade. A partir daí, ela tenta antecipar conquistas, eliminar obstáculos e acelerar a própria história. O problema surge quando percebe que nem sempre é possível pular etapas sem enfrentar consequências.

A narrativa aborda temas próximos da realidade de muitos adolescentes: comparação, perfeccionismo, ansiedade em relação ao futuro, medo de fracassar, pressão por felicidade e dificuldade para respeitar o próprio tempo.

Quando a comparação deixa de inspirar

As redes sociais criaram possibilidades importantes de conexão e informação, mas também ampliaram a exposição a padrões de vida muitas vezes irreais.

Para um adolescente ainda em processo de formação emocional, acompanhar diariamente pessoas exibindo viagens, relacionamentos perfeitos, corpos idealizados, sucesso profissional e conquistas financeiras pode aumentar a impressão de que todos estão avançando, menos ele.

O problema não está apenas na tecnologia, mas na forma como ela é utilizada e interpretada.

Quando a comparação se torna permanente, a vida do outro passa a funcionar como medida para avaliar a própria existência. E aquilo que poderia ser inspiração pode se transformar em cobrança.

Os números do IBGE mostram a dimensão dessa fragilidade emocional. Na PeNSE, 26,1% dos adolescentes disseram sentir, na maioria das vezes ou sempre, que ninguém se preocupava com eles. Entre as meninas, esse percentual chegou a 33,3%.

Literatura também pode abrir espaço para conversa

Ao transformar essas inquietações em ficção, Anna Padilha Moura utiliza a literatura como ponto de identificação e diálogo com adolescentes e jovens adultos.

A trajetória da personagem reforça uma ideia simples, mas cada vez mais necessária em um ambiente marcado por velocidade e comparação: cada pessoa tem seu próprio tempo.

Nem todas as conquistas acontecem na mesma idade. Nem toda dificuldade representa fracasso. E aquilo que aparece nas redes sociais representa apenas uma parte da vida de quem está do outro lado da tela.

Conversar sobre saúde mental, ansiedade e pressão social dentro de casa e na escola continua sendo fundamental. Quando mudanças persistentes de comportamento, tristeza intensa, isolamento ou falas relacionadas à falta de sentido da vida aparecem, é importante buscar apoio profissional.

“Você vai passar por aqui” está entre os lançamentos de ficção e literatura infantojuvenil da Editora Mundo Cristão.

Fonte: IBGE e Editora Mundo Cristão.

Texto: Redação Coisas da Dina.

Foto: Divulgação.


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