A Voz do Brasil completa 91 anos e mantém viva uma das histórias mais importantes do rádio brasileiro
- 22/07/2026
Há 91 anos, em 22 de julho de 1935, entrava no ar um programa que atravessaria gerações e se tornaria uma das marcas mais conhecidas da radiodifusão brasileira.
A primeira transmissão foi apresentada pelo locutor Luiz Jatobá. Na época, o programa se chamava Programa Nacional e tinha como objetivo divulgar informações do governo federal. Em 1938, passou a ser chamado A Hora do Brasil e teve sua transmissão tornada obrigatória nas emissoras de rádio do país. Anos depois, adotou o nome que permanece até hoje: A Voz do Brasil.
Ao longo de mais de nove décadas, o programa acompanhou momentos decisivos da história do país e do mundo. Passou pela Segunda Guerra Mundial, pela inauguração de Brasília, por diferentes Constituições, eleições presidenciais e acontecimentos que marcaram a vida dos brasileiros. Também noticiou episódios como a morte de Ayrton Senna, o atentado de 11 de setembro e a promulgação da Constituição de 1988.
Durante muitos anos, a frase “Em Brasília, 19 horas” fez parte da rotina de milhões de ouvintes. Em cidades grandes, pequenas comunidades e regiões distantes dos centros urbanos, o rádio era uma das principais formas de receber notícias sobre o país.
Onde muitas vezes não havia televisão, estrada, escola ou energia elétrica, havia um radinho de pilha levando informação, companhia e esperança.
Essa força ajuda a explicar por que A Voz do Brasil permanece no ar mesmo depois da chegada da televisão, da internet, das redes sociais e das plataformas digitais. O programa precisou mudar, ampliar sua linguagem e adaptar sua distribuição, mas continuou fazendo parte da história da comunicação pública brasileira.
Hoje, o conteúdo reúne informações dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Tribunal de Contas da União. A transmissão obrigatória pode ser feita pelas emissoras entre 19h e 22h, de segunda a sexta-feira, com exceção dos feriados. Em 2025, quando completou 90 anos, o programa também ampliou sua presença em plataformas digitais de áudio.
Uma história que também pertence ao Museu do Rádio Itinerante
A trajetória de A Voz do Brasil conversa diretamente com o propósito do Museu do Rádio Itinerante, projeto idealizado por Dina RACHID para preservar a memória do rádio e reconhecer os profissionais que ajudaram a construir esse meio de comunicação.
O museu será instalado em um ônibus adaptado e percorrerá cidades levando ao público um passeio pela história da radiodifusão. A proposta é reunir gravações de programas, locutores, comunicadores e acontecimentos que marcaram cada região visitada.
A Voz do Brasil ocupa um lugar indispensável nessa narrativa. Durante décadas, sua abertura, suas vozes e sua música foram ouvidas simultaneamente em milhares de emissoras. Pessoas separadas por grandes distâncias recebiam a mesma informação e compartilhavam, naquele momento, uma experiência coletiva proporcionada pelo rádio.
Preservar essa memória significa compreender como o Brasil se comunicou, como as notícias chegaram aos lugares mais distantes e como o rádio ajudou a formar a relação da população com os acontecimentos nacionais.
O Museu do Rádio Itinerante nasce justamente com esse compromisso: guardar vozes antes que elas se percam, registrar histórias contadas por quem viveu o rádio e apresentar às novas gerações a importância de um meio que nunca levou apenas notícias. Levou presença.
O rádio continua vivo
A permanência de A Voz do Brasil por 91 anos desmonta a ideia repetida muitas vezes de que o rádio desapareceria diante de cada nova tecnologia.
O rádio sobreviveu à televisão, atravessou a chegada da internet e encontrou espaço nos celulares, aplicativos, podcasts e plataformas digitais. Mudaram os aparelhos e as formas de ouvir, mas a voz continua estabelecendo uma relação direta, íntima e humana com quem está do outro lado.
Celebrar os 91 anos de A Voz do Brasil é reconhecer a capacidade de permanência do rádio e sua importância na construção da memória nacional.
É também lembrar que a história desse meio precisa ser preservada, contada e levada adiante.
É exatamente essa estrada que o Museu do Rádio Itinerante pretende percorrer.
Fontes: Empresa Brasil de Comunicação, Ministério das Comunicações e Câmara dos Deputados.
Texto: Redação Coisas da Dina.
Foto: Internet.


