​Entre previsões, coincidências e teorias, a final é Argentina e Espanha. E cada um torce como quiser

  • 19/07/2026

​Entre previsões, coincidências e teorias, a final é Argentina e Espanha. E cada um torce como quiser

Hoje, Argentina e Espanha entram em campo para decidir a Copa do Mundo. Duas grandes seleções, dois estilos de futebol e jogadores capazes de transformar uma final em um espetáculo.

Mas, antes mesmo de a bola rolar, muita gente já decidiu que a Espanha será campeã. Não por causa da campanha, da qualidade do time ou de uma análise técnica. A previsão estaria escondida em imagens que circulam pela internet.

Uma delas é a fotografia de Lionel Messi ainda jovem dando banho em Lamine Yamal quando o jogador espanhol era bebê. A imagem é verdadeira e foi feita durante uma ação beneficente ligada ao Barcelona e ao Unicef. Agora, quase duas décadas depois, os dois se encontram em lados opostos numa final de Copa do Mundo. Para muita gente, a cena teria antecipado a passagem de uma geração para outra.

Também há quem enxergue uma previsão em uma capa da revista The Economist, por causa da imagem de uma pessoa com roupa vermelha chutando uma bola. Como a Espanha joga de vermelho, pronto: para alguns, o resultado já estaria anunciado.

É coincidência? Premonição? Uma mensagem escondida? Jogo armado? Cada pessoa acredita no que quiser. O que não dá é para transformar tudo em certeza e qualquer detalhe em prova de uma grande conspiração.

Já não basta assistir a uma partida. É preciso encontrar sinais, montar teorias, recuperar imagens antigas, analisar cores e explicar por que determinado país deve vencer. O futebol, que deveria ser um momento de diversão, vira mais uma disputa cansativa nas redes sociais.

E ainda existe a discussão sobre para quem o brasileiro pode torcer. De um lado, aparecem argumentos contra a Argentina. Do outro, lembram a história da Espanha. De repente, escolher uma seleção para uma final exige uma defesa histórica, política e moral.

As pessoas precisam parar de polemizar tudo.

Hoje teremos uma final entre duas seleções que mereceram chegar até aqui. A Espanha chega invicta e a Argentina tenta conquistar o segundo título mundial consecutivo. Em campo estarão Messi, Lamine Yamal e outros grandes nomes do futebol. Isso já é suficiente para tornar o jogo especial.

Eu tenho muitos amigos espanhóis, mas vivi uma relação muito próxima com a Argentina durante mais de dez anos. Viajei ao país duas ou três vezes por ano, conheci sua cultura, convivi com os argentinos e construí amizades verdadeiras. A minha escolha nasce dessa história e da minha vontade, não de uma fotografia, de uma capa de revista nem da opinião dos outros.

Cada pessoa tem o direito de escolher a sua torcida. Pode torcer pela Argentina, pela Espanha, por um jogador, pela camisa mais bonita ou simplesmente pelo desejo de assistir a uma boa partida.

Também pode não escolher ninguém.

Pode almoçar com a família, sair para passear, ir à praia, dormir depois do almoço ou passar o domingo longe da televisão. Não existe obrigação de transformar tudo em posicionamento.

Torcida é sentimento. Não precisa de tese, explicação ou autorização.

Escolha um lado, não escolha nenhum ou simplesmente aproveite o jogo. Mas pare de procurar problema onde existe apenas uma bola, duas seleções e uma final de Copa do Mundo.

A vida já tem questões sérias demais. De vez em quando, nós podemos apenas nos divertir.

Texto: Dina RACHID.

Foto: Internet .


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Anunciantes