Mulheres representam dois em cada três casos de Alzheimer e diferença ainda desafia a ciência
- 17/07/2026
A cada três pessoas com Alzheimer, duas são mulheres. A proporção chama atenção de pesquisadores porque não pode ser explicada apenas pelo fato de elas viverem, em média, por mais tempo que os homens. Alterações hormonais, fatores genéticos, condições cardiovasculares e diferenças sociais ao longo da vida estão entre as hipóteses estudadas.
No Brasil, as demências atingem uma parcela crescente da população idosa. O Alzheimer é a causa mais comum e provoca a perda progressiva de neurônios, afetando memória, linguagem, orientação, raciocínio e capacidade de realizar tarefas cotidianas.
Uma das linhas de pesquisa investiga o que acontece com o cérebro feminino durante a transição para a menopausa. O estrogênio participa de processos ligados ao metabolismo cerebral, à circulação sanguínea e à proteção das células. Com a queda desse hormônio, o cérebro passa por mudanças importantes.
Estudos conduzidos pela Women’s Brain Initiative, da Weill Cornell Medicine, identificaram uma relação entre a redução do estrogênio e alterações cerebrais associadas ao risco de Alzheimer. Os pesquisadores ressaltam, porém, que a menopausa não causa a doença por si só. Ela pode representar um período de maior vulnerabilidade para algumas mulheres.
A investigação também considera o papel do estresse. Alterações persistentes nos níveis de cortisol podem interferir no sono, no humor, na memória e em outras funções cognitivas. Os processos cerebrais ligados ao Alzheimer podem começar muitos anos antes do aparecimento dos sintomas.
Quando o esquecimento merece atenção
Esquecer um nome, perder um objeto ou demorar para lembrar uma palavra pode acontecer durante o envelhecimento natural. O sinal de alerta aparece quando os esquecimentos se tornam frequentes e começam a comprometer a autonomia.
O neurologista Edson Issamu Yokoo, da rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica que é preciso observar o impacto desses episódios na rotina.
“O envelhecimento pode provocar lapsos pontuais e geralmente inofensivos. Consideramos um quadro demencial quando os esquecimentos, a desorientação e as alterações comportamentais passam a comprometer as atividades da vida diária e a autonomia do indivíduo”, afirma.
Entre os primeiros sintomas estão a dificuldade para guardar informações recentes, repetição constante de perguntas, desorientação no tempo e no espaço e problemas para planejar ou tomar decisões.
Esquecer o fogão ligado, perder-se em trajetos conhecidos, não conseguir administrar dinheiro, confundir senhas ou apresentar mudanças importantes de comportamento são situações que justificam uma avaliação médica.
Idade é o principal fator de risco
O risco de Alzheimer cresce principalmente após os 65 anos. Histórico familiar, baixa escolaridade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares também podem influenciar a saúde cerebral.
Atividade física, alimentação equilibrada, controle das doenças crônicas, sono adequado, convívio social e estímulo intelectual ajudam a proteger o cérebro. Essas medidas não garantem que uma pessoa ficará livre da doença, mas podem reduzir fatores associados ao declínio cognitivo.
O diagnóstico precoce permite investigar outras causas de perda de memória, iniciar o tratamento indicado e organizar os cuidados antes que a autonomia esteja muito comprometida.
A família tem papel decisivo nesse processo. Mudanças de comportamento nem sempre são percebidas pelo próprio paciente. Observar, procurar orientação médica e evitar acusações ajuda a reduzir o sofrimento.
O maior número de mulheres entre os casos de Alzheimer reforça a necessidade de pesquisas voltadas à saúde cerebral feminina. A ciência ainda procura compreender o peso dos hormônios, da genética, da longevidade e das condições de vida nessa diferença.
Fontes: Weill Cornell Women’s Brain Initiative; Alzheimer’s Association; Relatório Nacional sobre a Demência; Hospital São Camilo de São Paulo.
Texto: Redação Coisas da Dina.
Foto: Retirada da internet


