​Parrilla ou paella? Argentina e Espanha decidem uma Copa cercada por talento, VAR e desconfiança

  • 16/07/2026

​Parrilla ou paella? Argentina e Espanha decidem uma Copa cercada por talento, VAR e desconfiança

A final da Copa do Mundo de 2026 já tem seus convidados: Argentina e Espanha. De um lado, a parrilla, o tango, a camisa que pesa e uma seleção em busca do quarto título mundial. Do outro, a paella, o flamenco, a troca de passes e uma Espanha que tenta conquistar a taça pela segunda vez.

A Argentina foi campeã em 1978, 1986 e 2022. A Espanha venceu em 2010, na África do Sul, quando descobriu que era possível trocar centenas de passes, deixar o adversário tonto e, no fim, fazer o gol necessário. Agora, as duas seleções se encontram neste domingo, 19 de julho, às 16h, para decidir quem fica com a Copa.

A Argentina chega à final como atual campeã e com aquela conhecida capacidade de transformar cada partida em um acontecimento nacional. Argentino não assiste a jogo. Argentino participa, sofre, reclama, canta, discute com o árbitro, discute com o VAR e, se sobrar tempo, acompanha a bola.

A Espanha vem com outra proposta. Gosta de controlar o jogo, a bola, o espaço e, se for possível, até a respiração do adversário. Quando o outro percebe, está correndo há meia hora sem conseguir tocar na bola.

No campo, será uma disputa entre duas escolas. Fora dele, entre duas cozinhas que não aceitam comparação. A Argentina chega com carne, fogo, chimichurri e confiança. A Espanha responde com arroz, açafrão, frutos do mar e a certeza de que uma boa paella também sabe decidir uma final.

Só que esta Copa não foi servida apenas com futebol.

O torneio atravessou semanas de reclamações contra a arbitragem, decisões controversas e discussões intermináveis sobre o VAR. A tecnologia, criada para diminuir os erros, conseguiu uma proeza: aumentou o número de pessoas discutindo sobre eles.

A campanha argentina foi acompanhada por queixas em diferentes partidas. Houve gol anulado, pedido de pênalti, expulsão por simulação e uma nova regra de atuação do VAR que recebeu críticas de treinadores, ex-árbitros e torcedores. A expressão “VARgentina” começou a circular entre os adversários, enquanto a FIFA defendeu a independência de seus árbitros.

Também teve punição que parecia definitiva e deixou de ser. O atacante norte-americano Folarin Balogun recebeu cartão vermelho, teria de cumprir suspensão, mas a FIFA colocou a pena em período de prova e permitiu que ele voltasse a jogar. A decisão veio após o presidente dos Estados Unidos procurar o presidente da entidade e pedir uma revisão do caso. A seleção americana voltou a contar com o jogador e perdeu por 4 a 1 para a Bélgica. Nem toda intervenção produz milagre.

No meio de tantas câmeras, sensores, linhas e especialistas, o futebol continuou fazendo aquilo que sempre fez: deixou todo mundo com certeza absoluta sobre um lance visto por ângulos diferentes.

No domingo, a Argentina tentará colocar a quarta estrela sobre o escudo. A Espanha buscará a segunda. Uma quer confirmar uma era. A outra pretende abrir uma nova.

Pode dar tango ou flamenco.  Parrilla ou paella. Pode dar um grande jogo, uma prorrogação interminável ou uma decisão nos pênaltis capaz de acabar com a tranquilidade de dois países.

A única certeza é que, quando o árbitro apitar, milhões de pessoas voltarão a fazer o que fizeram durante toda a Copa: olhar para a televisão, desconfiar do VAR e explicar ao técnico exatamente o que ele deveria ter feito.

Fontes: FIFA, Reuters e Associated Press.
Texto: Redação Coisas da Dina.
Foto: Gerada por inteligência artificial 


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