Crônicas de um Brasil que vive com o coração na mão
- 30/06/2026
O brasileiro não assiste à Seleção. O brasileiro sofre e foi assim também, nesta segunda-feira.
Quando o Japão abriu o placar, parecia que o roteiro seria daqueles difíceis de engolir. O primeiro tempo foi morno, arrastado, com um Brasil que tinha a bola, mas não encontrava o caminho do gol. Enquanto nós roíamos as unhas, olhávamos para o relógio e fazíamos contas, Carlo Ancelotti revelava, depois da partida, que estava tranquilo. Segundo ele, o time estava preparado para vencer.
É curioso como o futebol mostra dois mundos ao mesmo tempo. Quem está dentro de campo precisa manter a cabeça no lugar. Quem está do lado de fora coloca o coração em campo.
No segundo tempo, o Brasil voltou diferente. Casemiro empatou, a confiança renasceu, mas o relógio continuava correndo. Cada minuto parecia uma eternidade. O coração do brasileiro estava na chuteira dos jogadores, no apito do árbitro e, aqui na Bahia, também batia no ritmo dos tambores do Olodum, que embalavam a festa de quem acreditava até o último lance.
Até que, nos acréscimos, veio a recompensa. Martinelli marcou o gol da virada. Foi aquele tipo de gol que não muda apenas o placar. Muda o humor de um país inteiro. Depois de um jogo desses, não teve gosto de sushi nem de saquê. Teve gosto de feijoada e de caipirinha.
Porque o brasileiro é assim: reclama, critica, sofre, promete que não vai mais assistir… mas continua acreditando até o último minuto.
Agora é respirar. O Brasil fez a parte dele. Nesta terça-feira conheceremos o próximo adversário, que sairá do confronto entre Noruega e Costa do Marfim. E, no domingo, o coração do brasileiro volta a entrar em campo.
Até lá, nós respiramos. Mas só até o apito inicial.
Por Dina Rachid


