​Inteligência artificial acolhe. Mas será que ela escuta?

  • 27/06/2026

​Inteligência artificial acolhe. Mas será que ela escuta?

Conversar com a inteligência artificial virou hábito para milhões de pessoas. Ela responde perguntas, organiza ideias, escreve textos e, muitas vezes, parece compreender quem está do outro lado da tela. Mas quando o assunto é sofrimento emocional, ansiedade ou conflitos da vida, surge uma pergunta importante: até onde uma máquina pode substituir a escuta humana?

O debate ganhou força após um estudo da Universidade de Stanford, divulgado este ano, apontar limitações importantes no uso de chatbots como ferramentas de apoio terapêutico. A pesquisa identificou dificuldades para reconhecer situações de crise, respostas inadequadas em alguns contextos de sofrimento emocional e o risco de o usuário acreditar que está recebendo um acompanhamento equivalente ao de um profissional.

Para a terapeuta e empresária Tatiana Pacher Nazato, a tecnologia pode ser uma aliada em diversas atividades, mas encontra limites quando o assunto envolve emoções.

“A inteligência artificial organiza informações e responde com rapidez, mas não constrói vínculo, não percebe o silêncio, não interpreta gestos nem assume responsabilidade sobre a vida de quem está em sofrimento.”

Segundo ela, a escuta terapêutica vai muito além das palavras. Um terapeuta observa mudanças de comportamento, pausas, contradições, emoções, contexto familiar e aspectos que muitas vezes nem são verbalizados durante uma conversa.

Outro ponto que preocupa especialistas é a falsa sensação de acolhimento. Como os sistemas de inteligência artificial são treinados para produzir respostas naturais e empáticas, muitas pessoas acabam confundindo uma conversa bem estruturada com compreensão emocional verdadeira.

Isso não significa que a tecnologia deva ser descartada. Pelo contrário. Ela pode facilitar pesquisas, organizar informações, auxiliar estudos e até servir como ferramenta complementar em alguns processos. O desafio está em compreender seus limites.

“A IA pode responder. Mas escutar é outra coisa. Escutar exige presença, responsabilidade, experiência e compromisso com quem está do outro lado”, resume Tatiana.

À medida que a inteligência artificial ocupa mais espaço na rotina das pessoas, cresce também a necessidade de lembrar que algumas experiências continuam sendo essencialmente humanas. Afinal, quando alguém procura ajuda para lidar com perdas, traumas ou decisões importantes, nem sempre a melhor resposta é a mais rápida. Muitas vezes, o que transforma é a presença de quem sabe ouvir.

Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação


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