Brasil amplia capacidade para testar novos medicamentos e reduz dependência de laboratórios no exterior
- 23/06/2026
Um dado chama a atenção na corrida pelo desenvolvimento de novos medicamentos: cerca de 70% das pesquisas são interrompidas antes de chegar ao mercado, principalmente porque os produtos não apresentam a eficácia esperada ou demonstram efeitos adversos durante os testes.
Agora, o Brasil passa a ocupar uma posição estratégica nesse processo. Com certificação internacional em Boas Práticas de Laboratório (BPL), a Crop Labs tornou-se um dos poucos laboratórios brasileiros habilitados a realizar testes pré-clínicos in vitro com reconhecimento em países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na prática, isso significa que estudos realizados no país passam a ser aceitos por agências regulatórias internacionais, reduzindo custos, tempo e burocracia para empresas do setor farmacêutico.
A certificação representa um avanço importante para a indústria nacional. Até então, muitas empresas precisavam recorrer a laboratórios no exterior para validar etapas fundamentais do desenvolvimento de medicamentos, vacinas e terapias inovadoras.
Segundo Aruã Prudenciatti, cofundador e diretor de Operações da Crop Labs, o reconhecimento internacional coloca o Brasil em um novo patamar dentro da cadeia de inovação farmacêutica.
“Os dados gerados aqui passam a ter validade internacional. Isso permite que empresas desenvolvam seus produtos no Brasil e alcancem mercados globais com mais eficiência.”
Por que tantos medicamentos ficam pelo caminho?
Desenvolver um novo medicamento é um dos processos mais caros da indústria. Do laboratório até a chegada às farmácias, o investimento pode ultrapassar US$ 2 bilhões por produto.
Durante esse percurso, os testes funcionam como um filtro científico.
A maior parte das pesquisas é interrompida antes das fases clínicas justamente porque os estudos identificam falta de eficácia ou riscos para os pacientes.
Segundo Prudenciatti, essa interrupção faz parte do próprio processo científico.
“Identificar rapidamente que um produto não funciona evita investimentos bilionários em pesquisas que dificilmente chegariam ao paciente.”
Como funcionam os testes in vitro?
Os estudos são realizados com células humanas cultivadas em laboratório, permitindo avaliar segurança, eficácia e mecanismos de ação antes que o medicamento avance para fases mais complexas.
Além de oferecer maior previsibilidade dos resultados, esse modelo acompanha uma tendência internacional de reduzir o uso de animais em pesquisas sempre que existirem métodos alternativos validados.
Impacto para o Brasil
Com o reconhecimento internacional, o país fortalece sua infraestrutura científica e passa a oferecer uma etapa importante do desenvolvimento farmacêutico sem depender exclusivamente de centros de pesquisa estrangeiros.
A expectativa da Crop Labs é ampliar o número de estudos realizados. Depois de concluir cerca de 550 pesquisas em 2025, a previsão é chegar a aproximadamente 800 estudos em 2026, impulsionada pelo aumento da demanda nacional e internacional.
Além de medicamentos, os testes também atendem pesquisas envolvendo terapias avançadas, cosméticos e produtos para a área da saúde.
Para especialistas do setor, a ampliação dessa capacidade representa um passo importante para tornar o Brasil mais competitivo na pesquisa científica, acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos e ampliar a participação do país no mercado global de inovação em saúde.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação


