Falar sobre sexualidade também é proteger crianças e adolescentes
- 19/06/2026
Entregar um celular nas mãos de uma criança ou de um adolescente se tornou algo comum em muitas famílias. O difícil, para muitos pais, continua sendo conversar sobre puberdade, consentimento, respeito ao próprio corpo e sexualidade.
Especialistas alertam que esse silêncio pode deixar crianças e adolescentes mais vulneráveis à violência, aos abusos e à gravidez precoce. Em um cenário em que casos envolvendo meninas continuam preocupando profissionais de saúde e órgãos de proteção, ampliar o diálogo dentro de casa passou a ser uma importante ferramenta de prevenção.
Para a fisioterapeuta pélvica e especialista em saúde pélvica e sexualidade Berenice Shakti, falar sobre o corpo de forma natural, respeitando a idade e a maturidade da criança, não significa estimular a sexualidade precoce. Pelo contrário.
“Informação adequada protege. Quando a criança conhece seu corpo, entende seus limites e aprende que pode conversar com adultos de confiança, ela desenvolve mais segurança para reconhecer situações de risco e buscar ajuda”, afirma.
Segundo a especialista, muitos adultos evitam o assunto porque também cresceram em famílias onde esses temas eram tratados como tabu. Como consequência, o silêncio acaba sendo transmitido de geração em geração.
Foi justamente a partir dessa realidade observada em consultório que nasceu o livro Cartas para Adelaine. A publicação reúne cartas e reflexões que estimulam o diálogo entre mães e filhas sobre puberdade, menstruação, autoestima, consentimento, autocuidado e desenvolvimento emocional.
A proposta não é substituir a conversa, mas facilitar um diálogo que muitas vezes parece difícil de iniciar.
Para Berenice, a educação sobre o corpo deve fazer parte do desenvolvimento infantil da mesma forma que outros aprendizados importantes da vida.
Especialistas lembram que conhecer o próprio corpo, compreender limites e aprender a dizer “não” são atitudes que fortalecem a autonomia e ajudam na prevenção da violência sexual.
Mais do que uma questão de saúde, o diálogo dentro de casa representa uma forma de cuidado. Em um mundo onde crianças e adolescentes têm acesso cada vez mais cedo às redes sociais e a conteúdos na internet, orientar, escutar e responder dúvidas de forma responsável torna-se tão importante quanto estabelecer regras sobre o uso da tecnologia.
Abrir espaço para essas conversas pode ser desconfortável para muitos pais. Mas evitar o assunto não impede que ele exista. Apenas faz com que crianças e adolescentes procurem respostas em lugares que nem sempre oferecem informação segura.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação


