Bahia ainda enfrenta baixa adesão à doação de sangue e hemocentros reforçam alerta antes do período junino
- 11/06/2026
Mesmo com campanhas anuais de conscientização, a doação de sangue ainda está longe do ideal no Brasil. Na Bahia, os hemocentros seguem enfrentando dificuldades para manter os estoques em níveis seguros, principalmente em períodos de festas, feriados prolongados e aumento de acidentes nas estradas.
Com a chegada do São João — uma das épocas de maior movimentação no estado —, a preocupação cresce entre profissionais da saúde e unidades de hemoterapia.
Dados do Ministério da Saúde mostram que menos de 2% da população brasileira doa sangue regularmente. Embora o índice esteja dentro da recomendação mínima da Organização Mundial da Saúde (OMS), especialistas alertam que a demanda aumenta em períodos específicos do ano, exigindo estoques mais robustos.
Na Bahia, a Fundação Hemoba costuma registrar queda nos estoques justamente em momentos de maior necessidade, como feriados, férias e festas populares.
O sangue coletado é utilizado em cirurgias, tratamentos oncológicos, emergências, acidentes graves, transplantes e atendimento de pacientes com doenças hematológicas. E ao contrário de muitos medicamentos, o sangue não pode ser fabricado ou substituído artificialmente.
Em Salvador, campanhas de incentivo à doação vêm sendo reforçadas nos últimos anos através da Hemoba, universidades, empresas, igrejas, grupos sociais e ações itinerantes. Mesmo assim, a adesão ainda oscila bastante.
Especialistas afirmam que parte da dificuldade continua sendo o medo, a desinformação e os mitos em torno da doação.
Muita gente ainda acredita, por exemplo, que doar sangue enfraquece o organismo, causa doenças ou exige longos períodos de recuperação — o que não é verdade na maioria dos casos.
Para doar, é necessário estar saudável, alimentado, descansado e apresentar documento oficial com foto. A idade mínima é 16 anos, com autorização dos responsáveis, e a máxima varia conforme histórico de doações anteriores.
Homens podem doar até quatro vezes por ano. Mulheres, até três vezes, respeitando os intervalos recomendados entre as doações.
Pessoas com algumas doenças específicas, infecções transmissíveis, determinados tratamentos médicos ou condições clínicas não podem doar temporária ou definitivamente.
A Hemoba reforça que os estoques precisam ser mantidos continuamente, porque a necessidade de sangue não acontece apenas em grandes emergências. Hospitais utilizam bolsas diariamente em tratamentos, cirurgias e atendimentos de alta complexidade.
Com o aumento do fluxo nas estradas e das festas juninas em toda a Bahia, a expectativa é de crescimento da demanda nas próximas semanas.
Por isso, o mês de junho costuma se transformar também em um período estratégico de mobilização para estimular novos doadores e manter os hemocentros abastecidos.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: gerada por inteligência artificial


